Há duas coisas completamente diferentes por trás da ideia de voltar a estudar depois dos 50, e confundi-las leva a expectativas erradas. Uma é a educação não formal das universidades séniores. A outra é o acesso ao ensino superior por uma via especial. Convém perceber qual serve para quê.
As universidades séniores
São descritas como respostas socioeducativas que criam e dinamizam regularmente atividades nas áreas sociais, culturais, do conhecimento e do convívio, a partir dos 50 anos de idade.
A escala é considerável. A rede da RUTIS envolve mais de 65 mil alunos, 426 entidades e 8.500 professores voluntários em todo o país.
Como funcionam
Não há exames, não há graus académicos e não há requisitos de escolaridade anterior. As disciplinas variam conforme a instituição e costumam incluir línguas, informática, história, música, artes, saúde e atividade física.
As mensalidades, quando existem, são tipicamente baixas, e boa parte do corpo docente é voluntário, frequentemente composto por professores reformados.
O que a investigação sobre envelhecimento tem vindo a associar a estas respostas não é apenas o conhecimento adquirido. É a combinação de estímulo cognitivo com contacto social regular, e ambos figuram, por caminhos distintos, entre os fatores associados a menor risco de declínio cognitivo.
A via dos maiores de 23
É outra coisa e serve outro objetivo: entrar no ensino superior e obter um grau.
Trata-se de um concurso especial de acesso, destinado a quem tem 23 anos ou mais e não seguiu o percurso habitual. Não exige exames nacionais de secundário. Em vez disso, consiste na realização de provas de avaliação da capacidade para a frequência do ensino superior, definidas por cada instituição.
As vagas são fixadas anualmente e cada instituição publica as suas condições, calendário e programas das provas. Vale a pena consultar diretamente a instituição pretendida, porque as provas e os critérios variam.
Qual escolher
Depende do objetivo, e a pergunta a fazer é honesta: quer aprender, ou quer um diploma?
Quem quer aprender, conviver e ocupar o tempo com estímulo tem nas universidades séniores a resposta mais adequada, mais barata e mais próxima de casa.
Quem precisa de um grau académico, por razões profissionais ou por um projeto pessoal antigo, tem na via dos maiores de 23 um caminho real, com a exigência que um curso superior implica.
E há ainda uma terceira via
Para quem não concluiu a escolaridade obrigatória, existem processos de reconhecimento, validação e certificação de competências, que permitem obter certificação escolar a partir da experiência de vida e profissional já adquirida.
É uma via com procura reduzida em idades mais avançadas, e no entanto é a que resolve o problema mais concreto de muita gente: ter conhecimento sem ter papel que o comprove.
A informação sobre universidades séniores por concelho está reunida no site da RUTIS.
O receio de não acompanhar
É a objeção mais comum, e merece resposta direta. Nas universidades séniores não há avaliação, não há reprovação e não há comparação com ninguém. A frequência é livre e o ritmo é definido pela turma.
Na via do ensino superior, o receio tem mais fundamento, porque há exigência real. Mas há uma vantagem que raramente se contabiliza: quem volta a estudar mais tarde chega com método, com disciplina e com uma razão clara para estar ali, e são precisamente esses três fatores que mais explicam o sucesso académico.











