Com muitas famílias ainda de férias e setembro à porta, as despesas do início do ano lectivo ameaçam acumular-se depressa: material escolar, roupa, equipamento e transportes concentram-se num período curto. A margem é pouca. Segundo o Eurostat, um em cada três portugueses não tem capacidade financeira para assegurar uma semana de férias fora de casa por ano. É neste contexto que o Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa (ISCAL) deixa cinco recomendações para tornar o regresso às aulas mais previsível.
1. Comece pelo inventário do que já tem
Mochilas, estojos, calculadoras, réguas e compassos podem passar de um ano para o outro. Fazer o levantamento do que ainda está em boas condições evita compras duplicadas e mostra o que é realmente necessário. A reutilização entre irmãos, familiares ou amigos, incluindo entre avós e netos, é outra forma de reduzir a despesa.
2. Lista fechada e tecto de despesa
Ter uma lista concreta do material necessário e definir antecipadamente quanto se pode gastar ajuda a travar as compras por impulso. O objectivo não é comprar o mais barato possível, mas comprar apenas o necessário e dentro da capacidade financeira do agregado.
3. Compare preços e desconfie dos descontos
Antes de comprar, vale a pena comparar preços entre lojas diferentes, incluindo online. Uma promoção só gera poupança efectiva se o artigo fosse mesmo necessário e o preço final ficar abaixo das alternativas comparáveis. Definir prioridades antes de sair de casa ajuda a resistir aos artigos que não estavam previstos. Guardar os talões e apontar o total gasto este ano é meio caminho andado para preparar melhor o orçamento do próximo.
4. Marcas brancas sem preconceito
Em materiais de uso frequente ou de desgaste rápido, optar por marcas brancas ou por produtos com boa relação entre preço e qualidade pode reduzir bastante a factura. O que conta é avaliar a utilidade e a durabilidade, em vez de assumir que o preço mais alto é sinónimo de melhor escolha.
5. Distribua as compras no tempo
Quando não é preciso comprar já, espalhar as compras ao longo das semanas alivia a concentração de despesas num único mês, desde que isso não leve a recorrer ao crédito. E vender ou trocar materiais, roupa ou equipamento tecnológico que já não se usa pode ajudar a financiar parte das compras novas.
Planear em vez de reagir
Para Pedro Pinheiro, presidente do ISCAL, “o regresso às aulas é um bom momento para transformar o planeamento financeiro numa prática regular, e não apenas numa reacção à falta de dinheiro. Quando sabemos o que temos, o que precisamos e quanto podemos gastar, tomamos decisões mais conscientes”.
A instituição tem levado a literacia financeira às comunidades escolares: em 2025, docentes e estudantes do ISCAL dinamizaram sessões em várias escolas que envolveram mais de 600 alunos. Mais do que gastar menos, a ideia que fica é gastar melhor, antecipando despesas e distinguindo o necessário do apenas desejável, hábitos que servem às famílias durante todo o ano.
E nas casas onde são os avós a comparticipar a mochila, os manuais ou o passe dos netos, o método é exactamente o mesmo: saber quanto se pode dar sem desequilibrar as contas próprias vale mais do que qualquer promoção.











