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Os pés depois dos 60 pedem mais atenção do que se pensa

Os pés depois dos 60 pedem mais atenção do que se pensa
Rogério Junior

Deixa de se chegar lá com facilidade, a pele fica mais fina e a sensibilidade diminui. Uma ferida que passa despercebida num pé pode transformar-se num problema sério, sobretudo em quem tem diabetes.

Os pés são a parte do corpo de que menos se cuida e a que mais depende disso. Depois dos 60, três coisas mudam ao mesmo tempo: deixa de ser fácil chegar lá, por causa das costas, das ancas ou da vista; a pele fica mais fina e mais seca; e a sensibilidade diminui, o que significa que uma ferida pode existir durante dias sem ninguém dar por ela.

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Em quem tem diabetes, esta combinação é a origem de um problema com nome próprio e consequências graves. A doença compromete a circulação e a sensibilidade e dificulta a cicatrização, e é por isso que uma bolha causada por um sapato apertado, ou um pequeno corte a arranjar uma unha, pode evoluir para uma úlcera que demora meses a fechar. A regra, nestes casos, é evitar qualquer ferimento nos pés, por mínimo que pareça.

O que fazer todos os dias

A inspeção diária é a medida com maior efeito e a que menos custa. Olhar para a planta, para os calcanhares e para os espaços entre os dedos, à procura de cortes, bolhas, vermelhidão, fissuras, alterações de cor ou zonas mais quentes. Quem não consegue ver a planta do pé usa um espelho pousado no chão, ou pede a alguém que veja por si.

Lavar todos os dias com água morna, nunca quente, e verificar a temperatura com o cotovelo ou com o antebraço, e não com o pé, precisamente porque a sensibilidade pode estar diminuída. Secar bem, com atenção especial ao espaço entre os dedos, onde a humidade que fica origina micoses e fissuras. Hidratar a pele, evitando aplicar creme entre os dedos.

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Nas unhas, cortar a direito e não em curva, sem apurar os cantos, para evitar unhas encravadas, e limar em vez de cortar quando a unha é grossa ou a vista já não ajuda. Os calos e as calosidades são para tratar por profissional habilitado: nunca cortar com lâmina, nunca usar calicidas, calos-adesivos ou produtos com ácido, que provocam queimaduras químicas na pele à volta.

Não andar descalço, mesmo dentro de casa, é uma recomendação simples que evita muitos episódios. E antes de calçar, passar a mão pelo interior do sapato à procura de pedras, costuras soltas ou objetos, gesto que demora dois segundos.

Sapatos, podologia e quando pedir consulta

O calçado decide grande parte disto. Deve ter a biqueira larga, para os dedos não ficarem comprimidos, sola que absorva impacto e que não escorregue, e fecho ajustável, de atacadores ou velcro. As meias devem ser sem costuras salientes e sem elástico apertado. Sapatos novos usam-se uma hora no primeiro dia e vai-se aumentando, e é um conselho aborrecido que evita bolhas.

A consulta de podologia resolve com segurança aquilo que não se deve fazer em casa: corte técnico de unhas grossas ou encravadas, remoção de calosidades e avaliação de deformidades. Em pessoas com diabetes, sessões regulares fazem parte da prevenção e não são um luxo. Vale a pena confirmar o que existe no centro de saúde da área, porque há unidades com consulta de pé diabético e rastreio periódico da sensibilidade.

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Há sinais que exigem ir ao médico sem esperar: uma ferida que não fecha, vermelhidão que se alastra, inchaço com calor, pus, mau cheiro, dor que aparece de repente, ou uma zona da pele que muda de cor e fica escura. Em quem tem diabetes, qualquer destes sinais é motivo para contactar o SNS 24 ou o centro de saúde no próprio dia. Deixar para a semana seguinte é o que faz a diferença entre um penso e um internamento.