Para quem cozinha para uma ou duas pessoas, o congelador é o melhor aliado contra o desperdício e contra os dias em que não apetece cozinhar. Faz-se uma panela grande, divide-se em doses e a despesa e o trabalho rendem o dobro. Mas há regras, e ignorá-las dá em refeições aguadas, secas ou com sabor a frigorífico.
O que congela bem
Sopas e caldos, guisados e estufados, carnes e peixes crus ou cozinhados, pão e bolos, arroz e massa já cozinhados, molho de tomate, feijão e grão cozidos, ervas aromáticas picadas em cubos de gelo com azeite, queijo ralado e a maioria da fruta destinada a batidos ou compotas.
O que é melhor não congelar
Alface e outros vegetais de folha crua, pepino, tomate cru, batatas cozidas inteiras, que ficam farinhentas, ovos cozidos, natas e molhos com muito leite, que talham, maionese, iogurte e queijos frescos. Também não compensa congelar fritos, que perdem completamente a textura.
As regras que fazem a diferença
Arrefeça a comida antes de a guardar, mas não a deixe horas à temperatura ambiente. Congele em doses individuais, para não ter de descongelar mais do que precisa. Use recipientes bem fechados ou sacos próprios, retirando o máximo de ar, que é o responsável pelas queimaduras de congelação, aquelas manchas esbranquiçadas e secas.
E rotule tudo, com o nome e a data. Ao fim de um mês, ninguém sabe distinguir um creme de abóbora de um puré de couve-flor congelado.
Quanto tempo dura
Como referência prática, a carne crua de vaca ou porco aguenta seis a doze meses, as aves seis a nove, o peixe gordo cerca de três, o peixe magro seis, a carne picada três a quatro, os cozinhados dois a três meses e o pão até três meses. Não é que fiquem perigosos depois disso, se o congelador se mantiver sempre a menos de 18 graus negativos, mas perdem sabor e textura.
Descongelar com segurança
A regra de ouro é descongelar no frigorífico, com tempo, e não na bancada da cozinha, onde a temperatura favorece a multiplicação de bactérias. Um tabuleiro por baixo evita sujidade. Quem tem pressa pode usar a função de descongelação do micro-ondas e cozinhar logo de seguida, ou cozinhar directamente do congelador, como acontece com sopas e legumes.
Alimento descongelado não deve voltar ao congelador cru. Pode, isso sim, ser cozinhado e depois congelado já confeccionado.
Congelar às porções certas
Vale a pena investir em recipientes iguais e empilháveis, que ocupam menos espaço e facilitam a arrumação, e em sacos de congelação reutilizáveis para o que é plano, como filetes, hambúrgueres caseiros ou fatias de pão. Congelar deitado e depois arrumar em pé, como se fossem livros numa estante, permite ver tudo de uma vez sem ter de esvaziar a gaveta.
Uma arrumação que poupa dinheiro
Vale a pena reservar uma prateleira ou uma gaveta para o que está mais perto de acabar o prazo e usar primeiro esse conteúdo. Uma folha colada à porta com a lista do que está lá dentro evita comprar o que já se tem e poupa tempo a remexer no frio.
E um último conselho para quem vive só: congelar em doses pequenas, de uma pessoa, é o que mais ajuda a manter uma alimentação variada. Assim, um cozido feito ao domingo pode reaparecer em três semanas diferentes sem que ninguém se farte dele.











