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Observar aves: o passatempo que transforma qualquer passeio

Observar aves: o passatempo que transforma qualquer passeio
Maria Isadora Ribeiro

Não exige mais do que uns binóculos e atenção. E em Portugal, entre estuários, serras e a passagem migratória do Outono, há muito para ver a poucos quilómetros de casa.

É um dos passatempos que mais cresce entre adultos, e por boas razões: faz sair de casa, não tem competição, pratica-se ao ritmo de cada um e pode começar na varanda. Em Portugal, com estuários, serras e uma posição privilegiada nas rotas migratórias, há material de sobra.

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O Outono é a melhor altura

Entre Setembro e Novembro passam por Portugal milhares de aves em migração, a caminho de África. É o período em que aparecem espécies que não se vêem no resto do ano e em que os estuários se enchem de limícolas, as aves de bico comprido que se alimentam na lama.

O que é preciso

Uns binóculos simples chegam para começar. Os de 8×42 são os mais recomendados para iniciantes, por juntarem ampliação suficiente e boa luminosidade sem ficarem pesados. Acrescente um guia de campo das aves de Portugal, ou uma aplicação de identificação, e um caderno para apontar o que vê.

Roupa de cores discretas, calçado confortável e paciência completam o equipamento.

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Onde ir

Perto de Lisboa, o Estuário do Tejo, com destaque para a zona de Alcochete e para a Reserva Natural, e o Estuário do Sado. No litoral centro, a Ria de Aveiro e o Paul de Arzila. A norte, o Parque Natural do Litoral Norte e a Lagoa de Bertiandos. A sul, a Ria Formosa e o Castro Marim, além dos arrozais do Baixo Sado.

Muitos destes locais têm observatórios com bancos, percursos planos e acessos preparados, o que os torna confortáveis para quem não quer andar quilómetros.

As melhores horas

O início da manhã e o fim da tarde, quando as aves estão mais activas e a luz é melhor. Nos estuários, o que manda é a maré: com a maré a encher, as aves são empurradas para mais perto de quem observa, e é aí que se vê melhor.

Comece pelas fáceis

Não tente identificar tudo. Comece pelas aves comuns e inconfundíveis: a garça-real, o guarda-rios com o seu azul eléctrico, o flamingo nos estuários do sul, a poupa com a sua crista, o pisco-de-peito-ruivo que aparece nos jardins no Outono e o melro. Ao fim de algumas saídas, o olho começa a distinguir silhuetas e formas de voo.

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Na varanda também conta

Um comedouro simples e um bebedouro com água limpa atraem pardais, verdilhões, chapins e piscos. Coloque-os num sítio com abrigo e longe do alcance de gatos, e limpe-os com regularidade para evitar transmissão de doenças. No Outono e no Inverno, é quando as aves mais agradecem.

Onde encontrar companhia

Há associações de ornitologia e grupos locais que organizam saídas guiadas gratuitas ou de baixo custo, abertas a quem nunca pegou em binóculos. Ir com quem sabe encurta meses de aprendizagem e resolve a dúvida mais frequente de todas: afinal, o que é aquilo que está ali pousado?

Regras de quem observa

Manter distância, não usar gravações para atrair aves, não sair dos trilhos e evitar aproximar-se de ninhos. Em zonas protegidas, respeitar a sinalização. O objectivo é ver sem perturbar, e as aves habituam-se a quem fica quieto muito mais depressa do que a quem avança.