Acontece sobretudo a quem toma insulina ou determinados comprimidos para a diabetes. O açúcar no sangue desce abaixo do normal e o corpo avisa: tremores, suores frios, palpitações, fome súbita, irritabilidade, visão turva.
É uma situação frequente, resolve-se depressa e, tratada mal, pode tornar-se perigosa.
Quando se considera hipoglicemia
Fala-se de hipoglicemia com valores abaixo de 70 miligramas por decilitro. Abaixo de 54, considera-se grave do ponto de vista clínico, mesmo que a pessoa se sinta bem. Se tiver o aparelho à mão, meça antes de tratar; se não tiver, trate na mesma perante sintomas típicos.
A regra dos 15
É o procedimento recomendado e é simples de memorizar. Tome 15 gramas de hidratos de carbono de absorção rápida, espere 15 minutos e volte a medir. Se continuar abaixo de 70, repita.
Quinze gramas correspondem, por exemplo, a um copo pequeno de sumo de fruta, a uma colher de sopa de açúcar ou de mel dissolvida em água, a três pastilhas de glicose ou a um pacote de açúcar e meio.
Quando o valor normalizar, faça uma refeição ou um lanche com hidratos de absorção lenta, como pão com queijo, se a refeição seguinte ainda estiver longe.
O que não serve
Chocolate, bolos e bolachas com creme, porque a gordura atrasa a absorção do açúcar. Refrigerantes sem açúcar ou versões light, que não têm açúcar nenhum. E, sobretudo, tratar uma hipoglicemia com uma refeição completa, que demora tempo de mais a fazer efeito.
O erro oposto também é frequente: comer tudo o que aparece pela frente, com a angústia do momento, e acabar com o açúcar muito alto horas depois.
Se a pessoa não conseguir engolir
Nunca force alimentos nem líquidos a quem está confuso, sonolento ou inconsciente, pelo risco de asfixia. Nesse caso, ligue 112. Quem tem indicação médica pode ter em casa glucagon injectável ou nasal, e nesse caso convém que a família saiba onde está e como se usa.
Porque acontece mais depois dos 70
Porque as refeições podem ser saltadas ou mais pequenas, porque a função renal diminui e altera a eliminação dos medicamentos, e porque os sintomas de aviso se tornam mais ténues com os anos e com hipoglicemias repetidas.
Nesta faixa etária, as metas de controlo da diabetes costumam ser menos apertadas, precisamente para evitar quedas de açúcar, que fazem cair e causam fracturas.
Prevenir
Não saltar refeições, ajustar a medicação em dias de menor apetite ou de doença, ter cuidado com o exercício não habitual e com o álcool, que provoca hipoglicemias tardias, várias horas depois.
Se acorda com dores de cabeça, pesadelos ou lençóis húmidos de suor, fale com o médico: são sinais de hipoglicemias nocturnas que passam despercebidas e que obrigam a rever as doses.
E ande sempre com açúcar na carteira e com um cartão que identifique a diabetes e a medicação.
Quem está por perto deve saber
Se vive acompanhado, ensine a família a reconhecer os sinais e a dar açúcar quando a pessoa ainda está consciente. Confusão súbita, fala arrastada ou comportamento estranho num diabético devem fazer pensar primeiro em hipoglicemia, e não em AVC ou em demência.











