Quando alguém deixa de conseguir tratar sozinho de tudo, a primeira ideia que surge à família é o lar. Mas há um passo intermédio que permite continuar em casa durante anos: o serviço de apoio domiciliário, prestado por instituições sociais e por empresas privadas.
O que costuma incluir
Fornecimento e, por vezes, confecção de refeições. Cuidados de higiene pessoal e conforto. Higiene habitacional. Tratamento de roupa. Acompanhamento a consultas e deslocações. Administração de medicação, quando prevista. E, cada vez mais, serviços de teleassistência, com botão de emergência ligado a uma central.
Nem todas as instituições oferecem tudo, e o serviço pode ser contratado por módulos, escolhendo apenas o que faz falta.
Quanto custa
Nas instituições com acordo de cooperação com a Segurança Social, habitualmente misericórdias, centros sociais e paroquiais e outras instituições particulares de solidariedade social, a comparticipação do utente é calculada em função do rendimento do agregado familiar, segundo tabelas próprias. Isso significa que quem tem pensões baixas paga bastante menos.
No sector privado, os preços são livres e variam consoante os serviços e os horários, sendo habitualmente cobrados por hora ou por pacote mensal.
Como se candidata
O caminho mais comum é dirigir-se à instituição da área de residência ou ao serviço de atendimento social da Segurança Social ou da câmara municipal. Costuma haver uma avaliação social e, muitas vezes, lista de espera, sobretudo nas zonas urbanas. Quanto mais cedo se inscrever, melhor: estar inscrito não obriga a aceitar quando chegar a vez.
As perguntas que revelam a qualidade
A que horas são as visitas e com que duração? Quantos profissionais diferentes vão passar por casa? O que acontece se a pessoa não abrir a porta? Há serviço ao fim-de-semana e feriados? Quem contactar fora do horário? Como se comunica com a família? O que está incluído no preço e o que é extra?
Peça para falar com outras famílias utentes. É a melhor referência que existe.
Sinais de alerta
Rotatividade excessiva de funcionários, atrasos frequentes, falta de registos do que é feito em cada visita, recusa em fornecer contrato escrito e ausência de resposta a queixas. Num serviço que entra em casa de uma pessoa vulnerável, tudo isto conta.
Preparar a casa para receber o serviço
Alguns ajustes facilitam muito o trabalho de quem vem ajudar e tornam o serviço mais seguro: manter um caminho livre até à casa de banho, ter barras de apoio no duche, deixar à vista a lista de medicação e os contactos de emergência, e combinar um sítio fixo para as chaves. Em muitos casos, instala-se uma caixa com código à entrada, o que evita problemas quando a pessoa não consegue chegar à porta.
Combinar apoios
O apoio domiciliário funciona muitas vezes em conjunto com outros recursos: centro de dia durante o dia, cuidados de enfermagem da unidade de saúde, fisioterapia ao domicílio, teleassistência e ajuda da família. Vale a pena falar com o médico de família e com o assistente social do centro de saúde, que conhecem a rede local e podem orientar o processo.











