Segundo inquéritos realizados nos últimos anos por marcas de preservativos, plataformas de saúde sexual e revistas especializadas, a resposta combina o clássico com uma dose crescente de experimentação.
O tradicional continua a dominar
A posição do missionário continua a ser a mais mencionada entre casais portugueses. Pode parecer conservador, mas os especialistas explicam: há conforto, intimidade e contacto visual — aspetos muito valorizados numa cultura onde a ligação emocional ainda pesa tanto como o prazer físico. Além disso, é uma posição que favorece o envolvimento emocional e uma maior conexão entre parceiros, fatores que muitos consideram essenciais numa relação sexual satisfatória.
Doggy style: entre a fantasia e a liberdade
Em segundo lugar, surge frequentemente a chamada “doggy style”, ou posição de quatro. Vista como mais intensa e menos convencional, representa para muitos portugueses um símbolo de entrega, confiança e até de ousadia. Nas entrevistas qualitativas que acompanharam alguns estudos, esta posição aparece associada ao desejo de quebrar a rotina ou de apimentar a vida a dois.
Cavalgando tabus: ela por cima
A posição “cowgirl” (ela por cima) também tem vindo a ganhar popularidade, especialmente entre mulheres. Para muitas, representa uma forma de empoderamento: permite controlar o ritmo, a profundidade e o próprio prazer. Também é considerada uma posição onde a mulher assume um papel mais ativo, o que se alinha com as mudanças culturais em torno da autonomia feminina no sexo.
Curiosidade crescente, mas com limites
As posições inspiradas no Kamasutra ou na pornografia, mais complexas fisicamente ou mais “acrobáticas”, ainda são encaradas com alguma hesitação. O que não significa que não exista curiosidade: segundo dados da plataforma Pornhub e outras fontes internacionais, os portugueses estão entre os europeus que mais pesquisam conteúdos sobre “novas posições” e “sexo tântrico”.
No entanto, especialistas em saúde sexual apontam que a vontade de experimentar esbarra frequentemente em fatores como falta de comunicação entre parceiros, insegurança corporal e mitos sobre performance.
A influência da comunicação digital
Com o aumento de criadores de conteúdo sobre sexualidade, sexólogos no TikTok e Instagram, e podcasts como o “Sexo com Sentido” ou o “Ponto G”, temas como prazer, consentimento e diversidade de experiências sexuais têm entrado cada vez mais no léxico dos portugueses — e isso reflete-se também na cama.
Muitos casais admitem ter descoberto novas posições ou abordagens sexuais a partir de conteúdos digitais e educativos. O sexo deixa assim de ser um tabu e passa a ser mais explorado, falado e partilhado (ainda que, muitas vezes, de forma privada).
As posições preferidas dos portugueses misturam o clássico com um toque de descoberta. Enquanto o missionário ainda reina, há uma abertura crescente a novas formas de prazer, onde o importante já não é a performance, mas a conexão, o conforto e a partilha do desejo.
O sexo em Portugal está a mudar — e com ele, as posições também.










