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Cultura woke: afinal o que significa e porque gera tanta polémica?

Forever Young

Nos últimos anos, a palavra woke tem ganho destaque no debate público internacional e também em Portugal. Mas afinal, o que significa ser woke e de que forma este conceito deu origem ao que hoje se designa como “cultura woke”?

A expressão woke vem do inglês e significa, literalmente, “acordado”. O termo começou a ser usado na comunidade afro-americana no século XX, em especial associado à luta pelos direitos civis nos Estados Unidos. “Estar acordado” representava estar atento às injustiças sociais, em particular ao racismo.

Com o tempo, a palavra foi sendo apropriada e expandida, passando a simbolizar uma consciência social mais ampla, ligada a desigualdades de género, sexualidade, ambiente e direitos humanos.

O que é ser woke?

Ser woke significa estar atento e consciente das injustiças sociais, das discriminações e das desigualdades que persistem na sociedade. Pessoas que se consideram woke tendem a:

  • Defender a igualdade racial e de género;

  • Promover os direitos da comunidade LGBTQIA+;

  • Questionar normas sociais vistas como discriminatórias;

  • Alertar para problemas como o aquecimento global ou a violência estrutural;

  • Incentivar uma linguagem inclusiva.

Em suma, o conceito procura representar um maior nível de consciência social e responsabilidade coletiva.

A chamada “cultura woke”

O termo woke evoluiu para “cultura woke”, um fenómeno sociopolítico que procura mudar mentalidades e práticas institucionais. Está presente no ativismo, na educação, nas empresas e até na cultura popular.

Exemplos incluem:

  • Empresas que adotam políticas de diversidade;

  • Plataformas de streaming que passam a incluir conteúdos mais representativos;

  • Escolas que integram temas como igualdade de género e combate ao racismo nos currículos;

  • Movimentos que pressionam figuras públicas ou instituições a retratarem-se por comportamentos ou declarações consideradas ofensivas.

E em Portugal?

Também em Portugal o debate sobre a “cultura woke” começa a ganhar espaço. Alguns exemplos recentes incluem:

  • Humor e televisão: discussões em torno de piadas sobre género, orientação sexual ou etnia geraram polémicas nas redes sociais, com acusações de “censura” por parte de humoristas e de “discurso ofensivo” por parte do público.

  • Publicidade: marcas nacionais têm apostado em campanhas mais inclusivas, como a representação de diferentes corpos, idades e orientações sexuais em anúncios de moda e tecnologia. Embora recebam aplausos por promoverem diversidade, enfrentam também críticas de quem considera estas iniciativas uma “estratégia de marketing” e não uma verdadeira mudança cultural.

  • Política e debate público: o termo woke tem sido usado, sobretudo por comentadores e políticos mais conservadores, como uma crítica a movimentos que defendem linguagem inclusiva, quotas de género ou mudanças no ensino. Para uns, trata-se de progresso; para outros, de imposição ideológica.

Críticas à cultura woke

Apesar da sua origem ligada à justiça social, a “cultura woke” é também alvo de críticas. Muitos acusam-na de promover uma espécie de “policiamento” do discurso, que limita a liberdade de expressão.

Termos como “cultura do cancelamento” (quando alguém é socialmente boicotado por comentários ou atitudes considerados ofensivos) são frequentemente associados à cultura woke. Para os críticos, este movimento pode gerar divisões e criar um clima de intolerância face a opiniões divergentes.

Entre a consciência e a polarização

Para uns, ser woke significa estar do lado certo da história, promovendo justiça, inclusão e respeito. Para outros, é sinónimo de exagero e de uma sociedade demasiado sensível, onde o medo de errar pode bloquear debates importantes.

A verdade é que a cultura woke já não é apenas uma tendência: tornou-se parte central das discussões políticas, sociais e culturais do século XXI, refletindo um tempo em que a luta por direitos convive com uma crescente polarização de ideias – inclusive em Portugal.