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Entrevista: «Não se deixe influenciar negativamente pelo peso que a sociedade colocou sobre ser-se mais velho», João Valeriano, fisioterapeuta no espaço António Gaspar Physio Therapy & Performance

Depois dos 65 anos o corpo precisa de uma maior atenção. A bem dele mexa-se.

15 Novembro 2023
Sandra M. Pinto

Pouco se fala da importância da mobilidade na terceira idade. As consequências de uma fraca (ou nenhuma) mobilidade após os 65 anos pode originar (ou agravar) condições médicas que, de alguma forma, prejudicam a qualidade de vida.  Alertar para a necessidade de “mexer” o corpo é o objetivo desta conversa com João Valeriano, fisioterapeuta no espaço António Gaspar Physio Therapy & Performance.

Exercícios e conselhos para ter uma vida melhor e mais saudável. O especialista alerta para a necessidade de acompanhamento para que não não aconteçam acidentes.  

É possível viver um envelhecimento saudável?
Sem dúvida, mas temos o desafio de quebrar os comportamentos tendencialmente sedentários da população mais velha. Esta passa mais de 8h por dia em atividades não ativas.

O conceito de velhice variou com o tempo. Existe um conceito médico que caracteriza a velhice?
O envelhecimento é um processo natural e fisiológico do nosso ciclo de vida. É um processo complexo, em várias dimensões, e que se manifesta de forma bastante diversa entre as pessoas.
O termo envelhecimento em si depois pode ser complementado com conceitos como: idade cronológica, biológica, psicológica, funcional e social.

Segundo os critérios estabelecidos pela OMS, a partir de que idade uma pessoa é considerada idosa?
Segundo a OMS, passa-se a ser uma pessoa idosa, ou adulto mais velho (devemos ter atenção e evitar termos idadistas como simplesmente idoso), quando atingimos 60 anos. Não é, no entanto, consensual uma vez que em muitas referências se considera pessoa idosa aquela que completa 65 anos.

 Antigamente o paradigma da medicina era aconselhar as pessoas de mais idade a fazerem repouso. Esse paradigma foi totalmente descartado pela medicina atual, certo?
Sim, tendencialmente os profissionais de Saúde estão mais despertos para a importância de aconselhar e prescrever atividade e exercício físico, contrastando com a prática passada de repouso já que os benefícios são vários e sistémicos.

Que tipo de benefícios se obtêm ao manter a atividade física no decorrer de toda a vida, especialmente, depois dos 60 anos?
Os benefícios da atividade física são mais que muitos e a sua influência para a saúde tem sido amplamente estudado e comprovado. A título de exemplo, 30 minutos de atividade podem reduzir em 80% o risco de morte prematura em pessoas que passam até 7h sentadas por dia. Influencia no retardar da perda de densidade óssea decorrente da menopausa, no reduzir o risco de queda, entre outros.

Vamos considerar três décadas distintas: dos 60 aos 70, dos 70 aos 80 e acima dos 80 anos. Qual o tipo de atividade física é a mais indicada para cada uma dessas faixas etárias?
É difícil, se não impossível, traçar um plano com base apenas na idade das pessoas, até porque o envelhecimento é um processo heterogéneo e podemos ter duas pessoas idosas com 73 anos com características e necessidades distintas e específicas. É importante, para quem trabalha com a população mais velha, ter conhecimentos próprios e específicos para delinear um processo de avaliação completo do qual deriva um programa apropriado a cada um.

Qual o papel do exercício físico na prevenção das doenças reumatológicas, um dos problemas sérios que enfrentam as pessoas de idade avançada?
Uma das condições com maior incidência na categoria de doenças reumatológicas é a osteoartrose (condição degenerativa que afeta a cartilagem articular) e o exercício é uma estratégia de primeira linha na gestão da condição já que pode atrasar ou prevenir a colocação de prótese, quando presente no joelho ou anca, por exemplo, atrasar ou prevenir o declínio funcional e diminuir a dor.

O problema mais grave do envelhecimento talvez seja a deterioração do sistema nervoso central, a deterioração dos processos cognitivos. Pode o exercício físico ajudar a mantê-lo saudável?
O exercício ativa áreas do cérebro associadas a processos de aprendizagem, planeamento e memória. Melhora a perfusão e metabolismo do cérebro estando associado à estimulação e libertação de elementos essenciais à sua preservação e funcionamento. Tem ainda um papel de regulação no stress e ansiedade.

Como iniciar a atividade física para idosos?
Iniciar sempre após uma avaliação completa, onde as motivações e gostos da pessoa idosa devem estar no centro. Depois disso, todo o exercício terá melhor aceitação por parte da pessoa já que o desafio é tirá-la de um ciclo de atividades tendencialmente mais sedentárias.

Pode por favor enunciar os benefícios comprovados do exercício na terceira idade?
São vários e sistémicos, a começar pela redução do risco de doença cardiovascular, cancro e até morte prematura. Depois, se nalguma condição particular, diminuição de sintomatologia álgica, aumento da função física e da força muscular, melhora do equilíbrio, aumento dos níveis de energia e de capacidade cardiovascular, ajuda a manter o peso saudável e a dormir melhor e ainda a reduzir o risco de queda.

Quais as modalidades mais adequadas?
O melhor exercício é aquele que se pratica, de forma segura e prazerosa. Cada modalidade ou planeamento de exercício tem objetivos e formas de se implementar particulares, demasiado técnicas para me alargar aqui, mas deve contemplar, em traços gerais, componente cardiovascular, mobilidade, força, equilíbrio e coordenação

Que conselhos daria às pessoas que estão a passar a barreira dos 60 anos?
Não se deixar influenciar negativamente pelo peso que a sociedade colocou sobre ser-se mais velho. Encarar isso positivamente, com o que de bom a experiência de vida trouxe e lutar de forma resiliente contra aquela vontade de ficar mais tempo sentado. Tentar manter uma rotina mais ativa e procurar, sempre que sentir necessidade, aconselhamento profissional para orientar e acompanhar esses hábitos de vida mais ativos e saudáveis.

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