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Greve nas escolas: faltas dos pais podem ser justificadas e remuneradas?

Greve nas escolas: faltas dos pais podem ser justificadas e remuneradas?
Rogério Junior

A advogada Marta Esteves esclarece o que diz a lei quando as escolas encerram e os pais têm de ficar em casa com os filhos.

O final da semana passada trouxe dificuldades acrescidas para muitas famílias portuguesas: com escolas encerradas devido a greves, vários pais e mães trabalhadores viram-se obrigados a faltar ao trabalho para poder acompanhar os filhos.
Agora, surge a dúvida: essas faltas são justificadas? E, sobretudo, são remuneradas?

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De acordo com Marta Esteves, advogada e consultora de Direitos Parentais, a lei não é totalmente clara nestas situações, já que não existe uma previsão expressa que mencione o encerramento das escolas por greve como motivo para faltar ao trabalho.

No entanto, conforme esclarece a jurista, isso não significa que as faltas sejam injustificadas. A legislação laboral prevê que a ausência possa ser considerada justificada quando:
1️⃣ A impossibilidade de trabalhar não é culpa do trabalhador – como acontece quando a escola encerra;
2️⃣ Essa impossibilidade está ligada ao cumprimento de uma obrigação legal, neste caso, o dever dos pais de cuidar dos filhos.

Quanto à remuneração, Marta Esteves acrescenta que, enquadrando-se estas faltas como justificadas e resultantes de uma obrigação legal, não devem implicar perda de salário, uma vez que não se tratam de ausências enquadradas nas situações de falta justificada com perda de retribuição.

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Para que a ausência seja reconhecida, a advogada recomenda que as famílias peçam à escola uma declaração que comprove o encerramento por motivo de greve, e que entreguem esse documento à entidade empregadora.

“Infelizmente, ainda há empresas que, por desconhecimento, informam os trabalhadores de que a falta é injustificada ou não remunerada. Isso não está correto. Os pais podem e devem fazer valer os seus direitos — até porque é uma obrigação legal garantir o acompanhamento das crianças”, sublinha Marta Esteves.

Com este esclarecimento, ficam dissipadas muitas das dúvidas que surgem sempre que há greves no setor da Educação — situações que colocam famílias e trabalhadores perante dilemas entre o dever profissional e a responsabilidade parental.