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Labubu: o monstrinho excêntrico que conquistou o mundo

Forever Young

Um boneco improvável que virou fenómeno global.

De expressão traquina, dentes afiados e orelhas pontiagudas, Labubu parece saído de um conto de fadas distorcido. Criado em 2015 pelo ilustrador belga Kasing Lung, como parte da série The Monsters, este boneco produzido pela chinesa Pop Mart começou por ser uma peça de nicho entre colecionadores de “designer toys”.

O salto para a ribalta aconteceu em 2024, quando Lisa, da banda Blackpink, foi fotografada com um chaveiro Labubu pendurado na mala. A imagem viralizou e transformou o monstrinho numa obsessão internacional, esgotando em lojas e tornando-se presença constante nas redes sociais.

O segredo do sucesso: blind boxes e escassez

O fenómeno não assenta apenas na estética peculiar. A Pop Mart aposta num modelo de venda em blind boxes — caixas-surpresa onde o comprador não sabe qual a figura que vai receber. Algumas versões são comuns, outras raríssimas, o que estimula a compra repetida e o mercado de revenda.

Em plataformas como o eBay, certas figuras atingem preços de centenas, e até milhares, de euros. Este mecanismo de escassez programada, aliado ao design excêntrico e ao apelo kawaii, transformou Labubu num objeto de culto.

Um império em números

  • Lucro líquido: No primeiro semestre de 2025, a Pop Mart registou um aumento de quase 400 %, alcançando 4,6 mil milhões de yuan (cerca de 630 milhões de euros).

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  • Receitas: Subiram 204 %, atingindo 13,9 mil milhões de yuan (~1,93 mil milhões de euros).

  • Franquia The Monsters: onde se insere Labubu, gerou 4,81 mil milhões de yuan (~670 milhões de euros), representando 35 % do total das vendas.

  • Expansão internacional: só nos EUA, as vendas cresceram mais de 1100 %, chegando a 2,26 mil milhões de yuan (~315 milhões de euros). Hoje, cerca de 40 % das receitas vêm já do estrangeiro.

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  • Meta para 2025: a Pop Mart aponta para 20 mil milhões de yuan (~2,78 mil milhões de euros) em receitas anuais, com a possibilidade de chegar aos 30 mil milhões (~4,18 mil milhões de euros).

Com este ritmo, a Pop Mart aproxima-se do campeonato de gigantes históricos como a Lego ou a Mattel.

O lado negro: falsificações e polémicas

O sucesso trouxe inevitavelmente as falsificações — conhecidas como “Lafufu”.

  • Irlanda: em Agosto de 2025, a Comissão de Proteção ao Consumidor retirou do mercado 74 bonecos falsos, vendidos em três lojas locais, por risco de asfixia.

  • EUA: a Pop Mart processou a cadeia 7-Eleven por venda de réplicas ilegais.

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  • Mercados paralelos: multiplicam-se réplicas baratas no TikTok Shop e em feiras, levantando sérias preocupações de segurança.

Além disso, em países como a Rússia e o Curdistão iraquiano, o Labubu chegou a ser proibido por alegadas “associações demoníacas” e efeitos negativos na saúde mental das crianças.

É de notar que, oficialmente, Labubu não é considerado um brinquedo infantil: o fabricante recomenda a sua utilização apenas a partir dos 15 anos.

Muito mais do que um brinquedo

O impacto cultural do Labubu ultrapassa o mero coleccionismo:

  • Moda e celebridades: Rihanna, Lady Gaga e Kim Kardashian exibiram figuras Labubu em eventos.

  • Cultura popular: na Tailândia, foi elevado a amuleto de sorte, com versões religiosas e até tatuagens.

  • Política: em Singapura, candidatos usaram mascotes Labubu como recurso simpático em campanhas eleitorais.

  • Arte e crítica social: tornou-se símbolo da estética digital “brain rot”, reflexo de uma cultura absurda e viral que domina a internet.

O futuro do monstrinho

A Pop Mart não pretende ficar pelo colecionismo físico:

  • Lançou em 2025 o Mini Labubu para telemóvel, sinal da aposta digital.

  • Estão em estudo séries animadas e até colaborações cinematográficas, transformando a personagem numa propriedade intelectual com potencial comparável a Pokémon ou Hello Kitty.

  • Até ao final do ano, prevê abrir mais 10 lojas nos EUA e expandir para mercados como o Médio Oriente, Europa Central e América Latina.

De um projeto artístico de nicho a um negócio multimilionário, Labubu é hoje um fenómeno global que une moda, cultura digital e consumismo.