A consultora Marsh lançou em Portugal a Inclusive Academy, um programa de estágios de um ano dedicado exclusivamente a pessoas com deficiência, com bolsa paga desde o primeiro dia. O objectivo é preparar jovens para uma carreira na consultoria, uma área exigente onde o talento com deficiência continua a esbarrar em barreiras de acesso. A iniciativa nasceu da constatação de um problema conhecido: apesar do potencial destes profissionais, faltam-lhes oportunidades para desenvolver as competências e a confiança necessárias para arrancar numa carreira em ambiente corporativo.
Quatro meses para construir bases
O programa arranca com uma fase de quatro meses inteiramente dedicada à formação: inglês, ferramentas do Office, competências comportamentais, pequenos projectos e sessões de observação do trabalho nas diferentes áreas da empresa. Só depois os participantes transitam para a área que melhor corresponda aos seus interesses, iniciando a componente prática do estágio, já com contacto directo com projectos para clientes. O percurso cobre funções nas áreas de consultoria de pessoas, risco e investimentos, o núcleo do negócio da empresa.
Bolsa desde o primeiro dia
Um dos princípios do programa é garantir uma experiência profissional digna desde o início: todos os estagiários recebem bolsa durante o ano inteiro, incluindo nos quatro meses de formação inicial. “A inclusão não pode ficar apenas pela intenção ou pelo cumprimento de uma obrigação legal. Tem de se traduzir em oportunidades concretas”, afirma Rodrigo Simões de Almeida, presidente executivo da Marsh Portugal, para quem se trata de demonstrar “que, quando existem as condições certas, o talento encontra espaço para crescer”.
Parcerias com quem conhece o terreno
Para chegar aos candidatos, a Marsh trabalhou com entidades com provas dadas na promoção da empregabilidade de pessoas com deficiência: a OED, a Valor-T, a APSA, o IEFP e a Associação Salvador. A selecção valorizou menos o currículo e mais o potencial, a motivação e a adequação ao modelo de formação proposto, uma inversão da lógica habitual dos recrutamentos que costuma deixar de fora quem teve menos oportunidades de construir currículo.
Dentro de portas, o programa conta com uma equipa multidisciplinar que junta recursos humanos, informática, instalações, mentores e “buddies” das áreas de negócio, além de uma coordenadora dedicada em exclusivo ao acompanhamento dos estagiários.
Tempo para ganhar confiança
“Mais do que criar um programa de estágio, quisemos criar uma experiência de aprendizagem que desse aos participantes tempo, ferramentas e acompanhamento para ganharem confiança e descobrirem onde podem acrescentar valor”, explica Constança Santa Marta, responsável da empresa pelo programa em Portugal.
Porque é que isto importa
Para muitas famílias portuguesas, a pergunta sobre o que acontece a um filho ou neto com deficiência quando chega a idade de trabalhar continua sem boas respostas: as oportunidades estruturadas são raras e o desemprego neste grupo é persistentemente mais alto. Programas como este, com formação paga, acompanhamento próximo e perspectiva real de carreira, ainda são excepção no mercado português, e é precisamente por isso que merecem registo. Quem tiver na família um jovem nestas condições pode acompanhar as futuras edições através das entidades parceiras, da Associação Salvador ao IEFP.











