Trocar de telemóvel devia ser simples, mas raramente é. As fotografias de anos, os contactos, as mensagens, as aplicações do banco, os códigos de acesso: tudo isso vive no aparelho antigo e tem de chegar intacto ao novo. Não admira que este seja um dos pedidos que mais cresce nas lojas de reparação.
Segundo dados da iServices, rede de reparação multimarca com mais de 150 lojas, os pedidos de passagem de dados entre telemóveis e tablets cresceram 69% no primeiro semestre deste ano, face ao mesmo período do ano passado. Nos computadores, o aumento foi de 71%, e o conjunto das intervenções técnicas subiu 48%. Também a higienização de telemóveis cresceu, 53%.
Antes de comprar um novo, tente isto
Muitas vezes, o equipamento que parece «velho» só precisa de uma limpeza digital. Antes de gastar dinheiro num novo, vale a pena verificar o espaço de armazenamento disponível, apagar ficheiros e aplicações que já não usa, actualizar o sistema operativo e as aplicações e confirmar o estado da bateria. Uma autonomia gasta nota-se sobretudo quando se passa o dia fora de casa, e a substituição da bateria custa uma fracção do preço de um telemóvel novo.
O que levar de um telemóvel para o outro
Se a mudança mesmo se impõe, a regra de ouro é uma só: não apague nem entregue o equipamento antigo antes de confirmar que está tudo no novo. Além das fotografias, dos vídeos, dos contactos e das mensagens, há um conjunto de coisas que costumam ficar para trás e dar problemas depois.
São os casos das aplicações do banco e da Segurança Social, que muitas vezes obrigam a nova activação; das palavras-passe guardadas no navegador; das aplicações de autenticação em dois passos, que geram códigos e precisam de ser transferidas com cuidado, sob pena de perder o acesso a contas importantes; e das contas de correio electrónico. Vale ainda a pena confirmar a transferência dos cartões e bilhetes guardados na carteira digital e das notas e listas.
Uma lista de verificação antes do primeiro dia
A iServices sugere uma checagem simples que serve para qualquer equipamento: confirmar a autonomia da bateria e o carregamento, verificar o espaço disponível, actualizar sistema e aplicações, testar câmara, microfone, colunas e ligação ao Wi-Fi e garantir que todos os dados e acessos foram transferidos antes de apagar o aparelho anterior.
Um conselho adicional: faça uma cópia de segurança para a nuvem ou para o computador antes de começar. Se alguma coisa correr mal a meio da transferência, é essa cópia que o salva.
Onde pedir ajuda
Quem não se sente à vontade para fazer tudo sozinho tem alternativas. As operadoras e as lojas de tecnologia costumam ajudar na transferência no momento da compra, as lojas de reparação fazem este serviço mesmo para equipamentos comprados noutro sítio, e muitas juntas de freguesia e bibliotecas têm sessões de apoio informático para quem tem menos à-vontade com a tecnologia.
E há sempre a solução mais simples de todas: pedir a um neto. Com uma condição, que vale a pena impor desde o início, para não ficar dependente de ninguém: que explique enquanto faz, devagar, e que anote num papel as palavras-passe novas.











