Gordura no cérebro? Sim, é possível

A Obesidade é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a epidemia global do século XXI. Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), existem cerca de 1,5 milhões de pessoas obesas em Portugal.

Os cientistas já estudam há anos a ligação entre as duas doenças mais comuns do século XXI, a obesidade e a depressão, mas para a comprovar têm-lhes faltado evidências da mesma. Agora, um novo estudo da Universidade de Glasgow, na Escócia, descobriu que a conexão se pode dever às gorduras que entram no cérebro através da corrente sanguínea. Estas podem acumular-se e afetar os sinais neurológicos associados com a depressão.

Com efeito, esta investigação foi conduzida em ratinhos de laboratório que foram alimentados com uma dieta rica em gorduras saturadas. Estas são responsáveis por levar à obesidade e ao desenvolvimento da depressão. No entanto, os cientistas também descobriram que ao diminuir as dimensões de uma enzima específica (fosfodiesterase), os sintomas de depressão ligada à obesidade podem ser reduzidos.

A relação entre obesidade e depressão não é fácil, sobretudo ao nível da medicação. Os pacientes obesos são menos propensos a responder bem à medicação antidepressiva comum. Neste sentido, os investigadores acreditam que com as suas novas descobertas podem influenciar os médicos na altura de prescrever medicamentos antidepressivos mais adequados para o paciente, que pode ter um excesso de peso ou ser obeso.

O principal autor deste estudo, George Baillie, disse que «esta foi a primeira vez que observou os efeitos diretos que uma dieta rica em gordura pode ter em áreas do cérebro relacionadas com a depressão» e congratulou-se com o facto de as evidências recolhidas poderem começar a explicar as razões da ligação entre obesidade e depressão e «potencialmente tratar melhor os pacientes com essas condições».

O facto de a redução no consumo de alimentos ricos em gordura poder levar a muitos benefícios para a saúde «já era do conhecimento do público». Porém, este estudo sugere «que ela também promove uma disposição mais feliz», acrescentou o professor da Universidade de Glasgow.

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