Os juros do crédito à habitação não param de aumentar. Saiba como travar o impacto dessa subida (e poupar)

Anote e ponha em prática.

Doutor Finanças, especialista em finanças pessoais e familiares, tendo em conta a progressiva subida dos juros, indica quatro formas de travar o impacto deste aumento nas prestações de Crédito Habitação.

“Desde 2022 que as taxas Euribor têm vindo a subir de forma progressiva, refletindo-se nas prestações do crédito habitação, que estão cada vez mais elevadas. Esta tendência deverá manter-se nos próximos tempos, pelo que é importante que as pessoas estejam informadas e saibam que há formas de minimizar o impacto no orçamento familiar”, explica Cláudio Santos, CCO do Doutor Finanças.

Embora o Governo tenha aprovado um conjunto de medidas para mitigar os efeitos da subida dos juros até ao final de 2023, incluindo novas regras relativas à renegociação dos contratos de crédito, isenção da comissão de amortização antecipada até ao final do ano, e a possibilidade de descontar menos IRS todos os meses para aumentar o rendimento disponível, existem outras soluções que podem ajudar as famílias a combater o aumento dos juros.

  1. Alterar a modalidade de juros: taxa fixa e taxa mista

Devemos ter em conta que podemos alterar o nosso regime de juros para uma taxa fixa ou mista. No caso da taxa fixa, o nosso contrato de crédito habitação não fica sujeito à subida e descida dos juros. A taxa aplicada é a mesma até ao final do contrato.

Contudo, devemos ter em atenção que uma taxa fixa é sempre mais elevada em comparação a uma taxa variável, pelo menos no início do contrato.

Por outro lado, um crédito com taxa mista permite fixar a TAN no período inicial do contrato (pelo tempo acordado). Desta forma, os titulares de crédito podem beneficiar de um período mais estável no início do contrato, ficando depois sujeitos à variação da Euribor.

Em Portugal, quando os titulares optam inicialmente por um crédito habitação com uma taxa mista, os períodos fixos mais comuns são de 5, 10 e 15 anos. Neste momento, com a subida dos juros, existem cada vez mais bancos a aplicar períodos fixos menores, como 1 ou 2 anos. Por norma, estes períodos fixos de menor duração estão associados a campanhas promocionais com juros muito baixos. Fora destas campanhas, é possível encontrar taxas mistas com períodos fixos de 5 anos a, por exemplo, 4,2%, ou a 10 anos a 4,6%. O ideal será comparar as TAN praticadas em várias entidades, fazer contas ao valor adicional que temos de pagar pela subscrição de outros produtos e ver se, no final, essa proposta compensa.

  1. Transferir o crédito habitação

transferência de um crédito habitação para outra entidade pode ser vantajosa, mesmo que não alteremos a modalidade de juros do nosso contrato e a Euribor continue a subir. Regra geral, quando pretendemos transferir o crédito habitação para outro banco, este está disposto a oferecer melhores condições para angariar um novo cliente.

No entanto, este passo nunca deve ser dado sem antes analisarmos várias propostas. Só assim garantimos que beneficiamos das melhores condições. Em termos de redução de encargos, transferir o crédito habitação permite, por norma: reduzir o nosso spread; reduzir o valor dos seguros obrigatórios do crédito, estipular novas condições, remover produtos que tínhamos associados ao contrato anterior, alterar com maior facilidade a maturidade do contrato, e até ter uma nova avaliação do imóvel que valorize o valor da casa. Em alguns casos, as novas condições contratuais podem gerar uma poupança a longo prazo mais atrativa.

  1. Recorrer a um crédito multifunções

Outra das possibilidades é recorrer a um reforço hipotecário através de um crédito multifunções, caso o nosso LTV (rácio entre o valor que o banco empresta para comprar a sua casa e o valor da mesma) o permita.

Desta forma, o nosso crédito habitação pode ajudar a liquidar um ou mais empréstimos contratados. Assim, conseguimos travar o impacto da subida dos juros, uma vez que, com esse valor adicional, podemos liquidar por completo a dívida de um cartão de crédito ou até de um crédito automóvel.

Um crédito multifunções tem condições diferentes em comparação a um crédito habitação. Por norma, aplicam-se spreads ligeiramente mais elevados.

  1. Optar pela consolidação de créditos

Por fim, para travar o impacto da subida dos juros temos a possibilidade de consolidar todos os nossos créditos ao consumo. O crédito consolidado pode incluir um crédito pessoal, crédito automóvel, cartões de crédito e outro tipo de créditos aos consumidores.

A consolidação de créditos é uma solução financeira que permite a junção de vários créditos num só. Dado que é aplicada, por norma, uma taxa mais baixa em comparação a outros créditos, conseguimos obter uma única prestação mensal mais barata. Há quem consiga poupar até 60% do valor total das suas mensalidades. Com esta poupança, podemos amortizar o nosso crédito habitação. Para este tipo de financiamento, não podemos estar em incumprimento em nenhum dos créditos.

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