É a arritmia mais frequente e a sua prevalência aumenta com a idade: acima dos 65 anos, afecta uma parte significativa da população, e uma boa parte dessas pessoas não sabe que a tem.
O que é
As aurículas, as câmaras superiores do coração, deixam de contrair de forma organizada e passam a tremer. O resultado é um batimento irregular e, muitas vezes, rápido. O sangue estagna em zonas da aurícula e podem formar-se coágulos que, ao saírem, seguem para o cérebro.
É por isso que a fibrilhação auricular multiplica o risco de AVC, e que o AVC associado a esta arritmia costuma ser mais extenso e mais incapacitante.
O teste que qualquer pessoa faz em casa
Pouse dois dedos, o indicador e o médio, no pulso do outro braço, do lado do polegar, e conte durante trinta segundos. O que interessa não é tanto a frequência: é a regularidade. Um pulso normal é regular, como um relógio. Na fibrilhação, as batidas aparecem desordenadas, umas mais próximas, outras mais afastadas, com intensidades diferentes.
Se notar irregularidade repetida, fale com o médico. Muitos medidores de tensão domésticos também assinalam ritmo irregular, e alguns relógios inteligentes fazem electrocardiograma simplificado, embora o diagnóstico tenha de ser sempre confirmado clinicamente.
Sintomas, quando existem
Palpitações, sensação de coração descompassado, falta de ar, cansaço fácil, tonturas, desconforto no peito. Muitas pessoas, porém, não sentem nada, e a arritmia é descoberta numa consulta de rotina, o que torna o rastreio do pulso ainda mais útil.
O tratamento tem duas frentes
A primeira, e a mais importante, é prevenir o AVC. Consoante o risco individual, calculado com escalas que consideram idade, tensão, diabetes, insuficiência cardíaca e AVC prévio, o médico prescreve anticoagulação. Não é aspirina: a aspirina não protege adequadamente nesta situação.
A segunda é controlar o ritmo ou a frequência, com medicamentos, cardioversão ou, em casos seleccionados, ablação por cateter.
O que agrava
Hipertensão não controlada, excesso de peso, álcool, mesmo em quantidades moderadas, apneia do sono, hipertiroidismo e infecções. Tratar a apneia do sono, em quem a tem, reduz de forma significativa as recorrências.
Viver com anticoagulação
Exige regularidade nas tomas, atenção a interacções com outros medicamentos e cuidados com quedas e com cirurgias. É um incómodo real, mas a alternativa, num doente com indicação, é assumir um risco de AVC muitas vezes superior.
Ande sempre com uma nota na carteira a indicar que está anticoagulado e qual o medicamento. Numa urgência, essa informação muda o tratamento nos primeiros minutos.
Depois dos 65, vale a pena verificar
Medir o pulso uma vez por semana, sempre em repouso, custa trinta segundos. Em rastreios comunitários feitos com este método simples têm-se identificado casos de fibrilhação até então desconhecidos, e cada um deles é um AVC potencialmente evitado.
Vale a pena envolver a família: ensinar um filho ou um neto a medir o pulso e a reconhecer irregularidades transforma um gesto isolado numa rotina que alguém se lembra de fazer.
Por fim, não confunda ritmo irregular com pulso rápido. Um coração acelerado por ansiedade, febre ou esforço mantém-se regular. O que interessa vigiar é a desordem entre batidas.











