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Salário real dos portugueses diminui o poder de compra, aponta este estudo

Salário real dos portugueses diminui o poder de compra, aponta este estudo
Sandra M. Pinto

A pressão inflacionista é o principal fator que influencia as alterações nos orçamentos salariais

A WTW apresentou as principais conclusões do seu estudo General Industry Survey de 2023, segundo o qual o salário dos portugueses tem vindo a cair – embora em linha com o que se passa no resto da Europa – tendo tido um crescimento real negativo de -1,2% em 2023, o que demonstra claramente uma queda no poder de compra da população portuguesa.

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Apesar de a maioria das empresas (68%) ter praticado, este ano, aumentos salariais maiores do que o orçamentado, em 2024 a situação deverá alterar – apenas 28% preveem orçamentos superiores ao planeado.

Já em julho deste ano, a WTW, através do seu estudo Salary Budget Planning, referia que em Portugal, os empregadores estão a orçamentar um aumento médio de 3,9% em 2024, abaixo do aumento médio de 4,2% em 2023.

A pressão inflacionista é o principal fator que influencia as alterações nos orçamentos salariais, citada por mais de 70 por cento dos empregadores portugueses, seguida pelas preocupações com um mercado de trabalho mais restrito (46,7%). Outros fatores que levam a alterações nos orçamentos salariais incluem a previsão de recessão ou de resultados financeiros mais fracos (22,2%).

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Quando observado o movimento salarial nos dois últimos anos dos colaboradores que integraram a amostra do estudo do mercado geral, verifica-se uma baixa percentagem desses colaboradores com promoção ao nível da evolução de carreira. Apenas 2% dos Executivos foram promovidos e sem aumento salarial. Já 9% dos colaboradores em carreiras de gestão e profissionais foram promovidos, mas apenas 16% deles, viram o seu salário aumentar. Em funções de suporte técnico e administrativo houve promoções para 8% dos colaboradores, dos quais 20% receberam aumento salarial.

Observando resultados por setor, verificou-se que são os colaboradores do setor farmacêutico e da saúde os que mais evoluíram nas carreiras e com aumentos salariais a chegar a mais pessoas. No setor das tecnologias, apesar de haver menos colaboradores a serem promovidos, os aumentos salariais abrangeram mais de um terço dessa população.

O estudo foi elaborado pelo departamento de Rewards Data Intelligence, a área de investigação e pesquisa de mercado da WTW responsável pelos surveys que permitem caracterizar o mercado português no que toca às suas práticas salariais e de benefícios. Nele participaram mais de 330 empresas nacionais de múltiplos sectores de atividade e com dados de remuneração de mais de 56.350 colaboradores que desempenham 360 especialidades classificadas em 50 famílias de funções, sendo que, a nível mundial, o estudo teve a participação de mais de 11 mil organizações.

Empresas em rápida transformação

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Segundo dados complementares alcançados no estudo global 2023 Dynamics of Work da WTW, as empresas estão em claro processo de transformação, tornando-se mais automatizadas e menos dependentes de modelos de trabalho convencionais.

Com efeito, as empresas mostram ser cada vez mais flexíveis nos seus regimes de trabalho, permitindo não só o trabalho remoto, mas alargando mais a geografia dos seus colaboradores. Dentro de três anos, as empresas esperam que 55% dos seus colaboradores estejam a trabalhar de forma híbrida ou totalmente remota e 45% das organizações irão permitir que os seus colaboradores trabalhem a partir de qualquer lugar, incluindo fora do país. Aliás, metade das empresas afirma que irá recrutar fora de fronteiras para funções totalmente remotas. Também, segundo o mesmo estudo da WTW, 35% do trabalho nas empresas será realizado por mecanismos de automação.

“Dada as alterações profundas nesta dinâmica, as empresas estão a operar mudanças na sua estratégia de compensação, introduzindo alterações nos Salário real dos portugueses diminui o poder de compra, aponta este estudoseus programas de desenvolvimento de carreiras, de forma a refletir as necessidades de novas competências, bem como a redesenhar a sua política de compensação para estar mais alinhada com as preferências e necessidades dos trabalhadores, nomeadamente através da introdução e redesenho de benefícios e programas de wellbeing”, diz Sandra Bento, Associate Director da WTW.

No que se refere ao talento digital, a remuneração em dinheiro, incluindo bónus de admissão e a capacidade de ter um impacto no desempenho da organização são os fatores de destaque na atração e retenção de talento.

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No geral, a competição por talentos, os regimes de trabalho flexível, o aumento de custos e, o aumento de problemas de saúde mental são os principais elementos a influenciar a estratégia de benefícios. Com o seguro de saúde a continuar a ser o mais valorizado entre o pacote de benefícios, assiste-se às seguradoras de saúde serem pressionadas pelos prestadores de serviços médicos a refletir nos prémios os aumentos de custos que estão a sentir.

Observa-se também uma atenção ao benefício “Carro”, sendo outro dos mais valorizados e culturalmente enraizado. Há um interesse cada vez maior por parte das empresas e dos colaboradores a adotar veículos amigos do ambiente, não só pelo aumento do custo dos combustíveis, mas sobretudo porque contribuem para melhores métricas no âmbito do ESG, o que é positivo para as empresas na resposta à sustentabilidade, no entanto o custo dos veículos é superior.

Desalinhamento entre colaboradores e empresas

Ao cruzar as opiniões dos responsáveis das empresas com a opinião dos colaboradores, os surveys Benefits Trends de 2023 e o Global Benefits Attitudes 2022 veem demonstrar que efetivamente existe um desalinhamento de opiniões.

O maior desvio verifica-se ao nível dos planos de reforma, que regista um interesse de 43% dos colaboradores, que vão estando cada vez mais interessados e sensibilizados para este benefício vs os 15% das empresas que não colocam este benefício nas prioridades. Também o suporte que é dado aos colaboradores na decisão de benefícios, apresenta um desvio de 16% na opinião de ambos. Onde parece haver maior encontro de opiniões é ao nível da adoção do regime de trabalho flexível e nas relações sociais no trabalho, onde o desvio é de apenas 3%.