Sei o que bebeste nos anos 80

Estas são algumas das bebidas da moda em plenos anos 80, quando o público-alvo desta revista estava entre a adolescência e a idade adulta. Recorde as grandes estrelas dos bares e discotecas da época e saiba que todas estas marcas continuam à venda em Portugal.

Quem tem hoje cerca de 50 anos teve a oportunidade de viver os seus verdes anos numa das melhores décadas do século XX para ser-se jovem: os anos 80. E se esta foi a altura de todos os excessos, do politicamente incorreto e da ascensão meteórica da cultura pop, foi também uma década de ouro para as discotecas e os bares, o que ajudou a celebrizar um conjunto de bebidas que hoje em dia se encontram guardadas nas mais recônditas memórias de todos nós. E, surpreendentemente, nas prateleiras de muitos supermercados!
Nas próximas páginas reunimos um verdadeiro festival de bebidas, cuja existência provavelmente esqueceu, mas que continuam disponíveis no mercado para quem quiser dar-lhes uma segunda oportunidade, mesmo que 30 anos depois. E o mais interessante de muitas destas delícias da destilaria é que quem olha para as cores garridas e o jovial design de algumas das garrafas e rótulos não suspeita que estamos perante algumas das mais potentes bombas etílicas da garrafeira nacional.
Sem mais demoras, ligue o gira-discos, ponha a tocar aquele vinil do David Bowie que sobreviveu ao passar do tempo e embarque connosco nesta viagem no tempo para revisitar uma série de bebidas que se tornaram moda nos anos 80 e que certamente irão avivar memórias há muito adormecidas.

Vodka laranja

Embora simples, o vodka laranja é um dos cocktails mais populares da década de 80 e foi criado para proporcionar uma forma mais agradável de consumir um destilado – o vodka – pouco dotado de aroma e de sabor. A mistura tornou-se de tal forma popular, que algumas marcas de vodka, como a Smirnoff, criaram garrafas de 0,75 l de vodka laranja já pronto. No entanto, os puristas dizem que o melhor vodka laranja é aquele feito pouco antes de beber, com laranjas acabadas de espremer. Nos anos 80 era raro encontrar um vodka laranja com esse nível de exigência, sendo que a maioria dos bares utilizava sumos engarrafados.

Pisang Ambon

Uma característica comum a muitas das bebidas que ficaram para a história pela sua popularidade em meados dos anos 80 é o elevado grau de açúcar envolvido. Havia bebidas doces ao ponto de serem facilmente confundidas com um comum sumo de fruta, o que muitas vezes disfarçava teores alcoólicos igualmente astronómicos. O Pisang Ambon, mesmo não sendo a bebida mais forte do cardápio dos anos 80 (20% de teor alcoólico), é um desses casos.
Uma das suas principais características é a cor verde brilhante, que lhe dá um aspeto delicioso, fazendo com que algumas pessoas pensassem estar perante uma bebida de menta. No entanto, o Pisang Ambon é um licor de bananas verdes e não de menta, elaborado com base numa complexa mistura de frutos e ervas exóticas.
Criada há cerca de 60 anos, com um sabor doce e sem travo a álcool, esta bebida é consumida em long drinks, e nos anos 80 tornou-se um verdadeiro clássico quando misturada com sumo de laranja. A sua receita tem raízes num licor antigo original da Indonésia. Na língua daquele país, “Pisang” significa banana e Ambon ou Amboina é o nome de uma ilha, também na Indonésia, onde esta bebida é fabricada.

Malibu

A tradicional garrafa branca de Malibu esconde o transparente do líquido que repousa lá dentro, o que sempre fez com que muita gente não percebesse de imediato que esta bebida é rum, na verdade, e não um licor de cor branca. O sabor a coco é obtido através de extratos e aromatizantes que são adicionados a este rum caribenho feito com melaço de cana-de-açúcar, mas tal como qualquer rum, o Malibu é transparente. Esta “ilusão”, criada pelo design da garrafa, fez com que fossem criados muitos cocktails com base na bebida mais famosa do Caribe que têm, de facto, cor branca, embora esta seja obtida através de outros licores ou ingredientes.
O sabor tropical e a versatilidade que caracterizam o Malibu (faz parte de dezenas de cocktails, serve de base à pina colada e pode ser consumido misturado com sumos de fruta, ou mesmo puro) tornaram–no num bestseller dos anos 80, e a sua popularidade mantém-se até hoje. Apesar do Malibu com aroma de coco ser o original e também o mais conhecido, foram criadas variantes da bebida com extratos de uma grande variedade de frutas, como banana, limão, ananás e manga, entre outras.
A marca Malibu tem mais de 100 anos e foi no final da década de 80 que o conceito de bebida tropical com sabor a verão começou a ser mais utilizado na sua comunicação, com o objetivo claro de chegar aos jovens adultos da época. Com 21% de teor alcoólico, é uma forma mais leve e aromatizada de beber rum. Tal como o Pisang Ambon, esta é uma daquelas bebidas cujo sabor doce faz parecer que nem sequer são alcoólicas. E aí reside o perigo!

Gold Strike

Os verdadeiros apreciadores de Gold Strike sabem que esta não é uma bebida qualquer. Consumido em shot, com os seus 50% de teor alcoólico, o Gold Strike é uma daquelas espirituosas que muitas pessoas dizem não conseguir beber desde o dia em que abusaram do seu consumo. E isso pode ter a ver com o facto de estarmos perante uma bebida que se excede em mais do que um sentido: além de apreciavelmente forte para o público que atingiu em finais dos anos 80 e início dos anos 90, esta bebida é tão doce e o seu travo a canela é tão intenso, que cada shot parece menos a bomba etílica que é do que uma caixa inteira de pastéis de Belém com canela.
Apesar de tudo isto, quem nunca abusou do Gold Strike continua a gostar, de tempos a tempos, de beber um shot e sentir o aroma inconfundível deste clássico. Parte da experiência consiste em contemplar o líquido transparente no copo, dado que a característica mais distintiva do Gold Strike é a presença de fragmentos de ouro de 23,5 quilates. Esta particularidade valeu-lhe um mito urbano nas décadas de 80 e 90, segundo o qual o ouro rasgaria “as paredes do estômago”, fazendo com que o álcool da bebida passasse mais depressa para a corrente sanguínea. É claro que tudo isto não passa de um mito, sendo os fragmentos de ouro inofensivos para a saúde.
O Gold Strike é, tal como o Pisang Ambon, uma bebida produzida pela holandesa Lucas Vols, e é precisamente esta empresa que sugere o seu consumo sob a forma de shot, através do slogan que se pode ler no rótulo traseiro da garrafa: “Shake, Shoot and Strike.” Os mais corajosos bebem-na numa dose superior, em copos de whisky, com gelo.

Passport Scotch

O whisky é, desde sempre, uma bebida associada aos pais. É assim hoje e já o era nos anos 80, sendo essa a ideia que o Passport Scotch tentou contrariar ao posicionar-se, já no início dos anos 90, como uma marca de whisky jovem, de qualidade premium, numa gama de preços mais acessível.
Embora já existisse nos anos 80 (a bebida foi criada em 1965 na região escocesa de Speyside), foi em 1992 que um anúncio de televisão não apenas jovem, mas também sexy para a época, popularizou o Passport Scotch entre os portugueses. Até hoje a música do anúncio, “Moments of Love”, dos Art of Noise, é rapidamente associada a esta marca de whisky, que se mantém popular em Portugal, na sua Escócia natal, e também no Brasil, em Angola, no México, em Espanha e nos Estados Unidos.
Com um teor alcoólico de 40%, o Passport Scotch foi desenvolvido pelo blender Jimmy Lang, da Chivas Brothers, nos anos 60. Inicialmente, este whisky foi criado através de um blend clássico que envolveu os single malts oriundos da região de Speyside, como o Strathisla e o Glen Keith. Durante os anos 70, o malte das destilarias recém-construídas Allt-a-Bhainne e Braes of Glenlivet (hoje, Braeval) começou a aparecer na receita do Passport Scotch. O resultado é um whisky de sabor leve com grãos, baunilha e frutas na sua composição. O Passport Scotch continua a ser vendido em Portugal, e se há muito tempo que não o bebe, saiba que não é difícil de encontrar. Além de existir em muitos bares, está à venda em todas as grandes cadeias de hipermercados.

Baileys

O Baileys é uma espécie de matrioska da destilaria, visto que é uma bebida espirituosa feita a partir de outra espirituosa. Um licor de whisky, nos anos 80, até podia ser uma porta de entrada para um jovem tornar–se um apreciador dos mais puros maltes escoceses. Mas não era. Era simplesmente uma bebida doce que parecia nem ser alcoólica, apesar dos seus 17% de teor, e que à vista desarmada se assemelhava a uma meia de leite metida dentro de um copo de whisky.
O que tornou o Baileys tão famoso, com particular incidência na década de 80, foi a qualidade dos ingredientes que o compõem e o sabor suave, easy drinking, que fazem dele uma opção mesmo para quem não gosta de bebidas alcoólicas.
Apesar de ser um licor de whisky, o Baileys não é escocês. Nasceu da combinação da tradição da destilaria na Irlanda com a qualidade do leite daquela região – 40 mil vacas de quintas irlandesas fornecem leite para a produção de Baileys, e a bebida tem de ser concebida nas 36 horas seguintes à ordenha. Da lista de ingredientes do Baileys contam, além das natas do leite, flocos de cacau, vagens de baunilha, caramelo e, claro, açúcar. Um pormenor interessante sobre o Baileys é o facto de ser possível mantê-lo com o sabor inalterado durante dois anos, sem que as natas sejam adulteradas. Na verdade, a combinação dos ingredientes é tão perfeita que é o próprio whisky a preservar as natas!
Esta bebida pode ser servida pura, ou com gelo, e é utilizada em alguns cocktails.

Safari

É um dos licores de frutas mais famosos do Mundo e popularizou–se nos anos 80, embora de forma mais discreta, devido à mesma combinação vencedora de fatores que transformou uma bebida como o Pisang Ambon num bestseller: garrafa apelativa, cor berrante, a presença do elemento fruta, sugerindo ser easy drinking, e uma comunicação dirigida a um público jovem adulto.
O Safari é descrito como um licor de frutas exóticas, incluindo mamão, manga, limão e maracujá, e só isto bastava para convencer os jovens dos anos 80, visto tratar-se de frutas que não existiam à venda em Portugal e das quais só se ouvia falar nas telenovelas brasileiras que passavam na RTP.
Com 20% de teor alcoólico, o Safari bebe-se frequentemente puro, mas também pode servir de base para alguns cocktails. Há ainda quem goste de “Safari Cola”, que, tal como o nome indica, consiste em misturar Safari com Coca-Cola.
Apesar de já não ser propriamente uma bebida da moda, este licor ainda tem uma base de apreciadores suficiente para ser comum vê–la referida nas cartas de muitos bares de norte a sul do País, seja de forma isolada ou como ingrediente de diversos cocktails.

Gordon’s

Nos anos 80 falar de gin era sinónimo de falar da marca Gordon’s. Desenvolvido por Alexander Gordon, um londrino de ascendência escocesa que abriu uma destilaria na área de Southwark, em 1769, o Gordon’s foi o primeiro gin que muitos jovens dos anos 80 beberam. E mantém-se nas lojas até hoje. O gin Gordon’s é triplamente destilado com bagas de zimbro, sementes de coentro, raiz de angélica, alcaçuz, raiz de lírio, laranja e casca de limão. A garrafa quadrada, característica desta marca, foi introduzida em 1904 e permanece mais de um século depois. Uma curiosidade sobre o Gordon’s é o facto de ter sido o gin favorito de Ernest Hemingway, que ele dizia «fortalecer, pacificar e cauterizar praticamente todos os ferimentos internos e externos».

Cuba Libre

De origem americana, Cuba Libre é o nome de um dos cocktails mais populares dos anos 80. Estrela em bares e discotecas da época, esta bebida obtém-se através da mistura de rum com Coca-Cola, normalmente em proporções de um para dois. É acompanhada por uma rodela de lima dentro do copo ou, em alternativa, sumo de lima. Muitas vezes a proporção da mistura é variável para obter uma bebida mais ou menos alcoólica.
A história da Cuba Libre remonta a 1898, durante a guerra de libertação da ilha de Cuba. Segundo se conta, entre o contingente americano enviado a Cuba estava o capitão Russell, que levou para a guerra algumas garrafas de Coca-Cola. Já em Cuba, pediu uma dose de rum e misturou-o com o refrigerante, criando assim o cocktail Cuba Libre, com um nome alusivo ao objetivo das suas tropas na ilha.
É muito comum confundir-se a Cuba Libre com o Rum Cola, mas não são a mesma coisa. A grande diferença está na lima, que não é utilizada no Rum Cola. Por outro lado, os entendidos dizem que a receita original leva rum branco ligeiro, embora muitos barmen criem variantes com todos os tipos de rum.

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