Quase toda a gente com mais de 60 anos tem alguma coisa nas pernas: veias em teia de aranha, cordões azulados, um tornozelo que incha ao fim do dia. Uma parte é inofensiva. Outra parte merece atenção médica e costuma não a receber, porque ficou arrumada na gaveta da estética.
O que são, afinal
As veias das pernas têm de empurrar o sangue para cima, contra a gravidade, com a ajuda de válvulas que impedem o refluxo e dos músculos da barriga da perna, que funcionam como uma bomba.
Quando as válvulas deixam de fechar bem, o sangue acumula-se, a veia dilata e aparece a variz. É um problema mecânico, e é por isso que não desaparece com cremes.
Os sinais de que não é só aspecto
- pernas pesadas e cansadas ao fim do dia, que melhoram com as pernas ao alto;
- inchaço nos tornozelos, sobretudo em dias de calor ou depois de muito tempo de pé;
- comichão e ardor ao longo do trajecto da veia;
- caibras nocturnas frequentes;
- pele do tornozelo a escurecer, a ficar dura ou a descamar;
- qualquer ferida que não cicatriza na zona do tornozelo.
Os dois últimos são os que exigem consulta sem demora, porque são a antecâmara da úlcera venosa, que demora meses a tratar.
As meias de compressão, que funcionam
São o tratamento de base e o mais subestimado. Não fazem desaparecer as varizes, mas reduzem o inchaço, aliviam o peso e travam a progressão.
Para resultarem, têm de ser da compressão certa, prescrita, e do tamanho medido, e não compradas a olho. Calçam-se de manhã, antes de pôr os pés no chão, e tiram-se ao deitar.
A queixa de que são difíceis de calçar é legítima, e há dispositivos simples que ajudam, além de modelos com fecho para quem tem artrose nas mãos.
Os tratamentos que eliminam a veia
A cirurgia clássica deixou de ser a única opção. Hoje há técnicas feitas com anestesia local e recuperação rápida, como o laser endovenoso, a radiofrequência e a escleroterapia com espuma.
A escolha depende do calibre das veias e do resultado da ecografia doppler, que é o exame que mostra onde está a falha. Sem esse exame, qualquer plano é adivinhação.
As veias muito finas, em teia de aranha, tratam-se com escleroterapia ou laser de superfície. Aí sim, o objectivo é sobretudo estético, e raramente comparticipado.
O que se pode fazer todos os dias
Caminhar é o melhor tratamento gratuito que existe, porque activa a bomba muscular. Estar muito tempo parado de pé é o pior.
Elevar as pernas acima do nível do coração durante quinze minutos, duas vezes por dia, reduz o inchaço. Dormir com os pés da cama ligeiramente levantados ajuda quem acorda com os tornozelos grossos.
Evitar banhos muito quentes, controlar o peso e não usar roupa apertada na virilha completam a lista.
O que não resolve
Cremes para varizes, massagens milagrosas e suplementos vendidos como circulatórios podem dar alívio temporário da sensação de peso, mas não corrigem válvulas estragadas. Quem promete fazer desaparecer varizes com um creme está a vender outra coisa.











