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VIH: doença não é transmissível por pessoas em tratamento

VIH: doença não é transmissível por pessoas em tratamento
Sandra M. Pinto

Cinco histórias reais registadas em vídeo dão corpo à nova campanha do CAD – Centro Anti-Discriminação VIH e Sida (GAT e SER+), que tem como objetivo dar a conhecer a evidência científica de que pessoas que vivem com VIH não transmitem o vírus quando estão em tratamento, por terem carga viral indetetável.

O Centro Anti-Discriminação VIH e Sida (CAD) lança hoje uma nova campanha que destaca a importância do tratamento eficaz do VIH na prevenção da transmissão do vírus, quebrando com a ideia errada e estigmatizante de que as pessoas que vivem com VIH são transmissoras do vírus mesmo quando estão em tratamento.

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Há mais de 20 anos, os primeiros estudos científicos relataram casos de não transmissão do VIH em casais serodiferentes (onde um dos parceiros vive com VIH e outro não) quando a carga viral é baixa. Desde então, e principalmente após a impactante confirmação num estudo publicado em 2016, dados científicos amplamente verificados dizem de forma inequívoca que quando a pessoa que vive com VIH está em tratamento eficaz, não transmite o vírus.

 

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Esta evidência científica fez surgir o conceito Indetetável = Intransmissível, também conhecido como “i=i”. Indetetável significa que a carga viral, ou a quantidade de vírus no sangue, é muito baixa, enquanto Intransmissível significa que, quando a carga viral é Indetetável, ou seja, suprimida, o VIH não é transmitido.

 

Se esse facto científico ainda é pouco divulgado no campo do VIH, é praticamente desconhecido pela população em geral. Após o sucesso da campanha “Eu sou VIH+ e Visível”, lançada em 2022, o CAD continua a dar voz às pessoas com VIH e dá agora visibilidade às redes de sociabilidade, através de cinco conversas sinceras e abertas registadas em vídeo, nas quais casais, colegas de trabalho, pessoas amigas, familiares e profissionais de saúde partilham as suas experiências e visões sobre a vivência com pessoas com VIH, destacando como a evidência científica “Indetetável = Intransmissível” mudou as suas vidas.

 

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“Estas conversas mostram que as pessoas com VIH não estão sozinhas, que a informação é poder e que é também responsabilidade de quem não vive com VIH saber mais sobre o vírus e travar de vez o preconceito e a discriminação. O tratamento eficaz do VIH permite que as pessoas vivam vidas longas e saudáveis, evitando a transmissão do vírus por via sexual e por outras vias. Infelizmente, são poucas as pessoas que partilham este conhecimento”, lamenta João Brito, coordenador do CAD, e explica que “as pessoas que vivem com VIH ainda são discriminadas em muitas áreas por causa do medo do VIH que foi instalado durante os anos sombrios da epidemia, mas é tempo de quebrar com esse paradigma”.

 

“A formação é também essencial para erradicar os contextos discriminatórios, e por isso temos alertado ao longo destas décadas para a importância de o Estado e as instituições investirem em ações de formação e capacitação não só das comunidades que vivem com VIH, como da população em geral, quebrando mitos, crenças e atitudes sociais estigmatizantes”, acrescenta Ana Duarte, coordenadora do CAD e responsável pela área da formação.