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Quedas em casa: as mudanças que reduzem o risco depois dos 65

Barra de apoio instalada na casa de banho para prevenir quedas de pessoas idosas
Maria Isadora Ribeiro

A maior parte das quedas acontece dentro de casa, em divisões conhecidas e em tarefas banais. Quase todas as correções custam pouco e fazem-se numa tarde.

A queda é o acontecimento que mais frequentemente marca o fim da autonomia depois dos 65 anos. Não pela queda em si, mas pelo que se segue: fratura, imobilização, perda de força e, com frequência, uma casa que deixa de servir. A maior parte acontece dentro de casa, em tarefas banais.

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Comece pelo chão

É onde está o maior número de causas evitáveis.

Os tapetes soltos são o primeiro item a resolver, sobretudo os pequenos, de corredor e de casa de banho. Ou saem, ou ficam fixos com fita antiderrapante.

Seguem-se os fios elétricos atravessados, os degraus isolados entre divisões e os pavimentos escorregadios quando molhados.

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E há o mais banal de todos: objetos deixados no caminho até à casa de banho.

A luz

A visão perde capacidade de adaptação com a idade e precisa de mais luz para o mesmo desempenho.

Vale a pena reforçar a iluminação de corredores, escadas e casa de banho, e garantir interruptores acessíveis nas duas pontas dos corredores e junto à cama.

Uma luz de presença no trajeto entre o quarto e a casa de banho resolve o cenário mais comum de queda noturna: levantar meio a dormir, no escuro, com pressa.

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A casa de banho

É a divisão com maior concentração de risco, por combinar superfícies duras, água e movimentos de transferência.

As três medidas com melhor relação entre custo e efeito são a barra de apoio junto à banheira ou ao polibã e junto à sanita, o tapete antiderrapante dentro da base, e a substituição da banheira por base de duche quando houver obra prevista.

Um banco de duche resolve o problema de quem se sente inseguro de pé durante o banho, e custa pouco.

O que não está na casa

Metade da prevenção não é de arquitetura, é de saúde.

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A medicação é o fator mais subestimado: alguns fármacos provocam tonturas, sonolência ou descida de tensão ao levantar. Uma revisão da medicação em consulta, sobretudo quando são vários medicamentos, é das intervenções com maior retorno.

A visão conta, e as cataratas por operar e as graduações desatualizadas pesam mais do que parece.

O calçado também: chinelos soltos e solas gastas são causa frequente. Sapato fechado, com sola aderente e calcanhar seguro, dentro de casa.

E a força

A medida com efeito mais duradouro é a menos imediata: manter força muscular e equilíbrio.

Levantar-se de uma cadeira sem usar os braços, subir escadas e treinar equilíbrio preservam exatamente as capacidades que evitam a queda e que permitem reagir a um desequilíbrio.

Se já houve uma queda

Uma queda anterior é dos melhores previsores de queda futura, e deve ser comunicada na consulta mesmo quando não houve consequências.

É informação clínica relevante, e é frequente ser omitida por parecer sem importância ou por receio de que leve a conversas sobre perda de autonomia.

Levantar-se devagar

Há um gesto que provoca mais quedas do que qualquer tapete: levantar-se depressa depois de estar sentado ou deitado.

A descida de tensão ao mudar de posição é comum com a idade e agrava-se com alguns medicamentos, com o calor e com a desidratação. A correção é gratuita: sentar-se na cama uns segundos antes de pôr os pés no chão, e levantar-se com apoio.