Antes do lar existe uma resposta intermédia que permite continuar em casa: o serviço de apoio domiciliário. Consiste em profissionais que se deslocam à residência para prestar cuidados e apoiar nas tarefas que se tornaram difíceis, e a diferença de custo entre as várias vias é substancial.
O que inclui
O leque varia com a instituição, mas o núcleo é comum: higiene pessoal, fornecimento e apoio nas refeições, tratamento de roupa, higiene habitacional e acompanhamento ao exterior, incluindo consultas.
Algumas instituições acrescentam apoio na toma da medicação, cuidados de enfermagem, atividades de convívio e teleassistência.
Nem todas prestam todos os serviços, e nem todas funcionam ao fim de semana. É a primeira coisa a perguntar.
Quanto custa
Depende inteiramente de quem presta.
Nas IPSS com acordo
Nas instituições particulares de solidariedade social com acordo de cooperação com a Segurança Social, o valor pago pela família chama-se comparticipação familiar e é calculado a partir do rendimento per capita do agregado, aplicando-lhe uma percentagem.
A comparticipação segue as regras dos acordos de cooperação: uma percentagem do rendimento per capita do agregado, em regra entre 40% e 75% consoante os serviços contratados, com limite no custo médio real do utente em cada instituição.
Para utentes em situação de demência ou de dependência de segundo grau devidamente comprovadas, a Segurança Social paga à instituição uma comparticipação adicional por utente (87,56 euros mensais no Compromisso de Cooperação 2023-2024). Não é um valor cobrado à família, mas reforça o financiamento dos cuidados a estes utentes.
No setor privado
Sem acordo, o preço é de mercado. Um estudo da DECO de novembro de 2019, que abrangeu empresas privadas, IPSS e misericórdias em seis distritos, apontou para custos mensais entre 450 e 880 euros em regime de cinco dias por semana, e entre 550 e 1.296 euros em sete dias por semana, variando com a região e com a entidade. Os preços actuais serão previsivelmente superiores, pelo que estes valores devem ser lidos como ordem de grandeza.
A diferença face às IPSS com acordo é, portanto, de várias centenas de euros por mês para a mesma necessidade.
Como se candidata
O caminho passa pelas instituições da área de residência: centros sociais e paroquiais, misericórdias e outras IPSS. A candidatura é feita diretamente junto de cada uma.
É preciso documentação de rendimentos do agregado, porque é dela que resulta o cálculo da comparticipação.
Convém candidatar-se a mais do que uma instituição. As vagas em respostas com acordo são limitadas e há listas de espera, sobretudo em zonas urbanas.
Quando começar a tratar
Cedo, e essa é a recomendação prática mais importante. As famílias procuram tipicamente estas respostas em crise, depois de uma queda ou de um internamento, quando a necessidade é imediata e a lista de espera não é.
Inscrever-se antes de precisar não obriga a nada e coloca a pessoa na fila.
Duas notas para quem decide
A primeira: o apoio domiciliário não é só um serviço de cuidados, é também contacto humano regular. Em pessoas que vivem sós, essa dimensão pesa tanto como a higiene ou a refeição.
A segunda: quem presta cuidados a tempo inteiro a um familiar deve verificar se reúne condições para o estatuto de cuidador informal, que dá acesso a apoios próprios, incluindo o descanso do cuidador.
Informação e contactos das respostas sociais por concelho na Segurança Social.
O que perguntar antes de escolher
Quatro perguntas separam instituições que parecem iguais no papel: se prestam serviço ao fim de semana e feriados, quantas visitas diárias estão incluídas, se garantem continuidade da mesma equipa, e o que acontece em caso de falta de pessoal.











