Começa por uma dor ao descer escadas, depois ao levantar de uma cadeira, e mais tarde ao fim de uma caminhada que antes não custava nada. A artrose do joelho atinge cerca de uma em cada oito pessoas em Portugal, é rara antes dos 40 anos e torna-se cada vez mais frequente com a idade. É a causa mais comum de dor crónica no joelho depois dos 60.
A reação instintiva é poupar a articulação: andar menos, evitar escadas, deixar de fazer o que dói. É compreensível e é, na maior parte dos casos, o pior caminho possível. A cartilagem não se gasta por se usar o joelho: gasta-se por carga excessiva, desalinhamento e falta de músculo à volta. E o músculo perde-se depressa quando se para.
O que as recomendações dizem
O tratamento de primeira linha da artrose do joelho é exercício, redução de peso quando existe excesso, e educação sobre a doença. Não é medicação e não é cirurgia, embora ambas tenham lugar próprio.
Em termos concretos, as orientações apontam para acumular pelo menos 150 minutos de atividade por semana, o equivalente a 30 minutos em cinco dias, combinando fortalecimento muscular da coxa com exercício aeróbio de baixo impacto, como caminhada, bicicleta ou hidroginástica. A parte do fortalecimento é a que costuma ser saltada e é a que mais conta: um quadricípite forte absorve carga que de outra forma vai toda para a articulação.
O peso é o outro fator com efeito comprovado. Cada quilo a menos alivia várias vezes esse valor em força aplicada sobre o joelho a cada passo, e a obesidade é simultaneamente fator de risco para desenvolver artrose e para a agravar. Não é preciso emagrecer muito para notar diferença.
Vale a pena esclarecer o que fazer com a dor durante o exercício. Alguma dor ligeira durante e depois é esperada e não significa estragos: a regra prática usada em reabilitação é que deve ser tolerável e voltar ao normal em cerca de 24 horas. Dor que aumenta de dia para dia indica que a carga está a mais e deve ser ajustada, não abandonada.
Medicação, infiltrações e o momento da cirurgia
Os analgésicos e os anti-inflamatórios têm papel no controlo das crises, mas são para períodos e não para anos, sobretudo em quem toma outra medicação, tem problemas gástricos, renais ou cardiovasculares. Anti-inflamatórios tomados continuamente durante meses são uma causa frequente de complicações nesta faixa etária, e é uma conversa a ter com o médico e não com o balcão da farmácia.
Quanto aos suplementos de venda livre com promessas de regeneração da cartilagem, a evidência é fraca e inconsistente. Não são perigosos, mas gastar dinheiro neles em vez de o gastar em fisioterapia é uma má troca. As infiltrações, de corticoide ou de ácido hialurónico, podem dar alívio temporário em situações selecionadas e são decididas caso a caso.
A prótese total do joelho é uma cirurgia com bons resultados, e a decisão não se toma pela imagem do raio X mas pela função: dor que persiste apesar do tratamento conservador bem feito, limitação nas atividades do dia a dia e perda de qualidade de vida. Mesmo quando a cirurgia está decidida, começar reabilitação antes de operar melhora a recuperação depois. O caminho passa pelo médico de família, que encaminha para ortopedia ou para medicina física e de reabilitação, e a marcação pode ser tratada pelo SNS 24.











