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Ressonar não é só barulho: os sinais da apneia do sono

Ressonar não é só barulho: os sinais da apneia do sono
Rogério Junior

Ressonar alto e acordar cansado depois de oito horas na cama pode não ser feitio nem idade. A apneia obstrutiva do sono torna-se mais frequente com os anos e, nas pessoas mais velhas, dá sinais diferentes dos do costume.

Ressonar é tratado como um defeito social, motivo de piada em família e de quartos separados. Numa parte dos casos é apenas isso, um ruído. Noutra parte é o sintoma mais visível de uma doença que interrompe a respiração dezenas de vezes por noite e que, sem tratamento, sobrecarrega o coração e a circulação durante anos.

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Na apneia obstrutiva do sono, os músculos da garganta relaxam durante o sono ao ponto de a via aérea fechar. A respiração para durante alguns segundos, o oxigénio no sangue desce e o cérebro reage com um microdespertar que reabre a passagem, muitas vezes com um ressonar mais forte ou um engasgo. A pessoa não se lembra de nada disto de manhã. Sabe apenas que dormiu oito horas e acordou como se não tivesse dormido.

Depois dos 60, os sinais mudam

A frequência e a gravidade da apneia aumentam com a idade, e nas mulheres a subida faz-se sobretudo depois da menopausa, altura em que a diferença face aos homens se esbate. O que complica o reconhecimento é que, nas pessoas mais velhas, o quadro típico se apresenta de forma mais discreta: o ressonar é menos intenso, as pausas na respiração são notadas com menos frequência por quem dorme ao lado, e a sonolência durante o dia tem tantas explicações possíveis que raramente é atribuída ao sono.

Vale a pena reparar noutros sinais. Dores de cabeça ao acordar, boca muito seca de manhã, necessidade de ir à casa de banho várias vezes durante a noite, irritabilidade, dificuldade de concentração e falhas de memória que se atribuem à idade. Nas pessoas que vivem sozinhas, e que por isso não têm quem repare nas pausas respiratórias, estes sinais indiretos são muitas vezes a única pista disponível.

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A apneia não tratada está associada a hipertensão difícil de controlar, arritmias, enfarte e acidente vascular cerebral, e o risco de acidente ao volante por sonolência é real e documentado. É por isso que não se trata de um incómodo do quarto, mas de uma questão de saúde que justifica consulta.

Como se confirma

O caminho começa no médico de família, que avalia as queixas, o peso, o perímetro do pescoço e a tensão arterial, e que encaminha para a especialidade quando a suspeita se mantém. O exame de referência é a polissonografia, feita durante uma noite de sono, e que regista simultaneamente a respiração, o oxigénio no sangue, o ritmo cardíaco, os movimentos e as fases do sono. Existem também estudos cardiorrespiratórios mais simples, que se podem fazer em casa e que são suficientes em muitos casos.

O tratamento depende da gravidade. Nos casos ligeiros, perder peso, evitar o álcool à noite, rever medicação sedativa e mudar a posição de dormir podem chegar. Nos casos moderados e graves, o tratamento mais estabelecido é um aparelho de pressão positiva contínua, conhecido pela sigla CPAP, que mantém a via aérea aberta durante a noite. Há ainda dispositivos de avanço mandibular e, em situações selecionadas, cirurgia. Quem tem queixas destas pode começar por descrevê-las ao médico ou pela linha SNS 24, mas o diagnóstico faz-se com exame e não com conversa.