Como enganar o cérebro e poupar dinheiro?

Diariamente deparamo-nos com situações financeiras complicadas que necessitam da nossa concentração e deliberação totais, como é o caso da escolha de uma casa ou do pedido de um crédito pessoal.

A verdade é que muitas vezes reagimos de forma instintiva e, se não soubermos como enganar o cérebro, podemos até perder dinheiro, diz o site ComparaJá.

Ao tomar uma decisão, o seu principal objetivo será alcançar algo benéfico para si próprio. Desta forma, não deixe o seu cérebro ceder a tentações e ser influenciado. Controle o cérebro para controlar também as suas finanças pessoais. Existem alguns truques, baseados em pesquisas e experiências, que o ajudam a saber como enganar o cérebro para poupar din05heiro.

Como enganar o cérebro na decisão das nossas ações?
A teoria da escolha racional assenta na premissa de que todo o ser humano age de acordo com as suas crenças e desejos individuais, tendo como principal objetivo conseguir aquilo que considera melhor para si, mas nem sempre possui informações suficientes para tomar tal decisão.

As nossas ações são regidas pelos nossos pensamentos e vontades, mas, por vezes, podem ser determinadas por algum conjunto de requisitos morais e éticos em que acreditamos.

Muitas vezes, as empresas tentam convencer-nos de que o sucesso de uma determinada ação – neste caso, comprar os seus produtos – é extremamente benéfico para nós e nem sempre é o caso.

É aqui que cada um de nós deverá saber como enganar o cérebro e dar prioridade à racionalidade. Por exemplo, adquirir um crédito pessoal é uma ação que pode ter benefícios (como ter aquelas férias de sonho ou poder organizar o seu casamento), mas, se não for uma decisão deliberada e informada, pode trazer prejuízos (como taxas de juro ou prestações mensais demasiado elevadas para conseguir suportar). O ideal é, antes de mais, comparar as ofertas existentes no mercado consoante as suas necessidades.

Por outro lado, e embora sem nos apercebermos, também as emoções importam na hora da tomada de decisão. Logo, as ações não são tão lineares como se esperaria e é devido ao facto de tantas vezes reagirmos de forma emotiva que por vezes tomamos deliberações que não são as mais acertadas.

Por exemplo, ainda existem pessoas que guardam o dinheiro em casa quando o mais seguro seria colocá-lo no banco. Os casinos continuam a estar cheios de jogadores quando a maior probabilidade é não ganharem dinheiro nenhum.

Teste do Marshmallow e autocontrolo
No final dos anos 60 e início de 70, o psicólogo Walter Mischel realizou uma experiência que ficou conhecida como o Teste do Marshmallow. O estudo consistiu em apresentar a um grupo de crianças a escolha entre um marshmallow para comer no momento ou obter dois, caso não comessem o primeiro durante 15 minutos.

Como seria de prever, algumas crianças não esperaram os 15 minutos para obter dois marshmallows. Os estudos posteriores de follow-up verificaram que as crianças que foram capazes de esperar mais tempo para obter uma maior recompensa foram as que apresentaram um maior rendimento escolar, assim como um melhor desempenho social e cognitivo, optando por um estilo de vida saudável.

Os resultados deste estudo podem ser aplicados ao nosso dia-a-dia. Muitas vezes preferimos “colher os frutos” no imediato e não esperamos que esses frutos amadureçam.

Por exemplo, se adquirir um crédito à habitação e utilizar o valor residual do mesmo, estará a pagar uma mensalidade inferior no início do empréstimo. Mas, por outro lado, terá de liquidar uma prestação mais elevada no final. Não será melhor fazer um esforço financeiro para pagar mensalidades um pouco mais elevadas, para ter a certeza de que consegue pagar o crédito até ao final? Aqui o pensamento é o inverso: despender um pouco mais agora para que mais tarde não tenha de pagar um montante avultado.

O ideal será ter noção de como enganar o cérebro e controlar os seus impulsos para que consiga obter aquilo que deseja mais facilmente ou até mesmo conseguir alcançar algo ainda melhor.

Visualizar futuras recompensas e estabelecer objetivos
Uma das estratégias para aprender como enganar o cérebro e conseguir ter mais autocontrolo é visualizar o seu futuro, desfrutando da recompensa que deseja. Ao criar uma imagem mental de si a usufruir da reforma, isso pode ajudá-lo a poupar mais para esse fim.

Por outro lado, se deseja comprar uma casa, pode sonhar com os seus filhos a brincar no jardim ou a correr pela casa. Vai sentir-se mais confiante e determinado a procurar o melhor crédito à habitação, com prestações mensais que consiga pagar e terá noção que será um esforço financeiro que será compensado no futuro.

Este processo de imaginar, como sendo real, aquilo que deseja, ajuda-o ainda a saber como enganar o cérebro, fazendo com que a motivação para economizar dinheiro seja maior. Deve também, para tal, ser realista e começar a poupar desde cedo para poder ter, como exemplificado acima, uma reforma que lhe permita ter uma vida confortável.

Estabelecer objetivos também ajuda a enganar o cérebro e verá que consegue mais facilmente atingir o sucesso nas ações com que se comprometeu, como é o caso de poupar dinheiro.

Para tal, crie uma lista de objetivos SMART – específicos (specific), mensuráveis (measurable), atingíveis (attainable), relevantes (relevant) e temporais (time based) – para que consiga ter um desempenho com êxito.

Por exemplo, a Maria adora fotografar e decidiu, no início do ano, colocar um valor mensal do seu vencimento numa conta-poupança e, com esse valor, no final deste ano, poderá comprar a máquina fotográfica dos seus sonhos. Este é um objetivo SMART, pois é específico, consegue ser mensurável e facilmente atingido, torna-se relevante porque é algo que lhe interessa e tem um tempo definido para ser atingido.

Poderá criar uma lista de objetivos SMART, para poupanças ou apenas para o seu dia-a-dia, e verá que consegue ensinar-se a como enganar o cérebro para não comprar tantas coisas que, no final de contas, não são assim tão importantes ou necessárias para si.

Engane o cérebro e viva à procrastinação
Procrastinar é uma ação que permite adiar a compra de um produto ou serviço que talvez não seja assim tão necessário para si nesse momento. Levar algum tempo para comprar algum bem que não é essencial pode levar o cérebro a combater as emoções e os impulsos.

Imagine que vai às compras e vê um computador novo ou um par de sapatos que fica mesmo bem com a camisola que comprou no dia anterior. Será assim tão necessário adquirir esses produtos? Será que o seu computador está assim tão mau que precise de outro ou será que não tem outros sapatos igualmente bonitos para usar com a nova blusa? Ao adiar essa compra, terá a oportunidade de verificar se esse produto é assim tão especial ou foi só a emoção do momento.

Assim, sempre que for às compras, pense primeiro. Faça mentalmente uma lista de prós e contras dos produtos que quer adquirir e também dos produtos que esses novos bens irão substituir. Precisa mesmo destes ou é apenas o seu cérebro a transmitir-lhe um turbilhão de emoções para que adquira os bens?

Este pensamento deverá também ser feito para aquisições maiores, que requerem uma análise mais detalhada. Deve adquirir um crédito à habitação ou, para já, basta apenas arrendar uma casa? Deve aceitar já a proposta da sua instituição financeira ou pesquisar sobre as restantes ofertas existentes no mercado? Não precisa de aceitar de imediato as propostas que lhe são feitas, é importante fazer uma análise completa primeiro.

Assim, a procrastinação pode ajudar a enganar o cérebro, na medida em que, se procrastinar, terá mais tempo para analisar se realmente necessita de um determinado produto, não se deixando levar pelas emoções.

Treine o seu cérebro e viva satisfeito com o que tem
Viver feliz e agradecer por aquilo que temos é “meio caminho andado” para não fazer compras que não precisa. Por vezes, compramos roupas, carros ou calçado de grandes marcas apenas por uma questão de status.

Contudo, se gostar daquilo que tem e lhe der o devido valor, vai sentir-se tão bem ou melhor do que se gastasse imenso dinheiro num novo par de sapatos de uma marca cara. Engane o cérebro, mas também o eduque a valorizar o que tem em casa e assim será mais fácil poupar algum dinheiro.

Os truques e dicas demonstrados acima resultam, mas têm de partir da sua força de vontade para conseguir alcançar os objetivos a que se propõe. Treine com as dicas que lhe apresentámos e verá que consegue poupar mais do que o que o seu cérebro lhe diz.

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