São pequenas bolsas que se formam na parede do intestino grosso, em zonas de maior fraqueza, quando a pressão no interior aumenta. Chamam-se divertículos e a sua frequência sobe acentuadamente com a idade: acima dos 60 anos, uma parte significativa da população tem-nos, quase sempre sem saber.
Ter divertículos não é estar doente
A simples presença das bolsas chama-se diverticulose e, na maioria das pessoas, não causa qualquer sintoma. É muitas vezes uma descoberta acidental, numa colonoscopia feita por outro motivo. Não exige tratamento nem vigilância especial.
O problema surge quando um divertículo inflama ou infecta, situação a que se chama diverticulite, ou quando sangra.
Sinais de diverticulite
Dor abdominal persistente, habitualmente na parte inferior esquerda do abdómen, que não passa e vai aumentando ao longo de horas ou dias. Pode acompanhar-se de febre, náuseas, alteração do trânsito intestinal e mal-estar geral.
A dor da diverticulite distingue-se das cólicas habituais por ser contínua e localizada, e por não aliviar depois de evacuar. Perante este quadro, sobretudo com febre, deve procurar avaliação médica no mesmo dia.
Quando ir às urgências
Dor abdominal intensa, barriga dura e muito sensível ao toque, febre alta, vómitos persistentes, paragem completa do trânsito intestinal e de gases, ou hemorragia pelo recto com sangue vermelho vivo em quantidade. Estas situações podem indicar complicações como perfuração, abcesso ou hemorragia importante.
Fibra: os conselhos mudaram
Durante décadas recomendou-se a quem tinha divertículos que evitasse frutos secos, pipocas, sementes e grainhas, com receio de que ficassem presos nas bolsas. Os estudos posteriores não confirmaram esse risco, e essa restrição deixou de ser recomendada de forma generalizada.
O que se mantém é o contrário: uma alimentação rica em fibra, com legumes, fruta, leguminosas e cereais integrais, associada a boa hidratação, reduz a pressão no cólon e parece diminuir o risco de crises. A fibra deve ser aumentada gradualmente, para evitar inchaço.
Durante uma crise aguda, porém, a indicação é habitualmente oposta: dieta mais leve e pobre em resíduos durante alguns dias, conforme orientação médica, retomando a fibra depois.
O que ajuda a prevenir
Manter peso saudável, praticar actividade física regular, não fumar, evitar a obstipação crónica e limitar o consumo de anti-inflamatórios, que se associam a maior risco de complicações. A carne vermelha em excesso também tem sido associada a mais episódios.
E depois de uma crise?
Após um episódio de diverticulite tratado, é habitual programar uma colonoscopia algumas semanas depois, já com o intestino recuperado, para confirmar o diagnóstico e excluir outras causas de dor com a mesma apresentação.
A maioria das pessoas nunca volta a ter uma crise. Em casos de episódios repetidos ou de complicações, pode ser ponderada cirurgia, decisão que é sempre individual e tomada com o cirurgião, em função da frequência, da gravidade e do estado geral de saúde.
Uma dúvida frequente
Muita gente pergunta se pode fazer vida normal tendo divertículos. A resposta é sim: viajar, praticar exercício, comer de tudo com moderação e manter a alimentação rica em fibra. Não há qualquer indicação para restringir a vida social ou alimentar de quem tem diverticulose sem sintomas, e viver com medo da próxima crise costuma fazer mais mal do que a própria doença.











