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Mala da maternidade: o que levar mesmo para a mãe, para o bebé e para o acompanhante

Mala da maternidade: o que levar mesmo para a mãe, para o bebé e para o acompanhante
Rogério Junior

Entre as 30 e as 35 semanas é a altura ideal para arrumar a mala da maternidade, mas o erro mais comum não é esquecer, é levar de mais. Ana Domingos, enfermeira especialista em Saúde Materna e Obstétrica, revela a checklist essencial e os itens improváveis que algumas grávidas agradecem no bloco de partos.

Poucos gestos tornam a chegada de um bebé tão real como arrumar a mala da maternidade. É também um dos momentos que mais dúvidas levanta: o que levar mesmo, quantas mudas de roupa preparar e se será preciso seguir à risca as listas intermináveis que circulam na internet. A resposta curta é que não existe uma mala perfeita, nem uma mala igual para todas as famílias. Existem, isso sim, alguns essenciais que tornam os primeiros dias mais tranquilos para a mãe, para o bebé e também para quem acompanha.

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Quem o explica é Ana Domingos, enfermeira especialista em Saúde Materna e Obstétrica, com mais de uma década de acompanhamento a mulheres e famílias, da gravidez ao pós-parto. Fundadora do projeto Babies Everywhere (criado em 2020) e autora do método “Nascer com Amor”, tornou-se enfermeira especialista independente em 2024, mantendo a ligação à prática hospitalar através de turnos no Serviço de Urgência Obstétrica e Ginecológica e no Bloco de Partos do Hospital Beatriz Ângelo.

A altura certa para preparar a mala

A recomendação da especialista é clara: entre as 30 e as 35 semanas de gravidez. Não por se esperar que o bebé nasça antes do previsto, mas porque antecipar esta tarefa permite viver as últimas semanas com mais calma e evita correrias de última hora. Há ainda um lado simbólico nesta preparação, que funciona como uma forma de criar ligação com o bebé e de se aproximar do encontro que se avizinha.

Antes de qualquer checklist, fica a ressalva de que a arrumação é uma escolha de cada família. “Não existe uma forma certa de organizar a mala da maternidade. Há famílias que preferem uma única mala para todos, outras optam por uma mala para os pais e uma para o bebé. No entanto, costumo recomendar que exista também uma pequena bolsa específica para o bloco de partos. O mais importante não é o número de malas, mas sim que tudo esteja organizado de forma simples e acessível, para que consigam encontrar rapidamente aquilo de que precisam”, explica Ana Domingos.

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O que levar para a mãe

Nos primeiros dias depois do parto, a palavra de ordem é conforto. A lista essencial inclui:

  • Produtos e objetos de higiene pessoal
  • 3 camisas de noite ou pijamas confortáveis, preferencialmente abertos à frente
  • Robe
  • Chinelos
  • Soutiens de amamentação
  • Cuecas de algodão, descartáveis ou cueca-fralda
  • Pensos pós-parto (se usar cuecas de algodão ou descartáveis)
  • Bálsamo para mamilos
  • Peribottle
  • Elástico para o cabelo (se fizer sentido)
  • Telemóvel e carregador com cabo comprido e/ou power bank
  • Roupa e calçado confortável para o dia da alta
  • Saco para roupa suja

Convém lembrar que o corpo continua em recuperação depois do nascimento e que, na maioria dos casos, a barriga não desaparece de imediato. Daí a insistência em roupa confortável e prática, que costuma ser a melhor escolha.

Documentos a não esquecer

  • Cartão de Cidadão
  • Boletim de Saúde da Grávida
  • Exames recentes da gravidez
  • Plano de parto (caso exista)
  • Cartão de seguro ou subsistema de saúde (quando aplicável)

O que levar para o bebé

Aqui, o excesso é a regra mais comum. Como a maioria dos internamentos é relativamente curta, o essencial costuma bastar:

  • Primeira roupinha do bebé
  • 3 a 4 conjuntos completos organizados em saquinhos individuais (cada conjunto pode incluir body, calças interiores, babygrow, gorro e meias)
  • 2 mantinhas ou swaddles
  • Fraldas de recém-nascido
  • 1 pack de toalhitas
  • 3 fraldas de pano
  • Estojo de higiene do bebé: escova macia, lima de cartão ou elétrica e creme de banho (se optar por dar banho no hospital)
  • Toalha de banho (se optar por dar banho no hospital)

A sugestão que a enfermeira costuma deixar às famílias é a de separar cada conjunto do bebé em saquinhos individuais. Além de simplificar a organização, ajuda quem estiver a apoiar nos cuidados ao bebé a encontrar depressa aquilo de que precisa.

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E o acompanhante?

É a mala de que quase ninguém se lembra, apesar de o acompanhante passar longas horas na maternidade. Também deve ter a sua preparada, com:

  • Cartão de Cidadão
  • Produtos básicos de higiene
  • Pijama ou muda de roupa confortável
  • Chinelos
  • Telemóvel e carregador
  • Água e snacks

Há ainda um pormenor que Ana Domingos faz questão de sublinhar sempre: o acompanhante deve saber onde estão guardadas todas as malas. Parece um detalhe menor, mas no dia em que o trabalho de parto começa pode fazer toda a diferença.

A pequena bolsa para o bloco de partos

Este é, provavelmente, o ponto mais esquecido de todos. Como na maioria das maternidades não é possível levar a mala completa para o bloco de partos, compensa preparar à parte uma bolsa pequena com os essenciais:

  • Saco com a primeira roupinha do bebé
  • Garrafa de água
  • Elástico
  • Spray de água termal
  • Batom hidratante
  • Pastilhas de mentol e/ou pente de madeira
  • Telemóvel e carregador (cabo comprido)

Segundo a especialista, a garrafa de água, o spray de água termal e o batom hidratante são três dos itens mais esquecidos e, muitas vezes, dos mais agradecidos. Já as pastilhas de mentol e o pente de madeira costumam gerar estranheza. Apesar de parecerem objetos improváveis numa mala da maternidade, há grávidas que gostam de os utilizar durante as contrações, como estratégia de conforto e de foco. São pequenas ferramentas que podem ajudar a direcionar a atenção e tornar o trabalho de parto mais confortável para algumas mulheres.

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Menos é mais

O receio de esquecer algo importante é uma das maiores preocupações das grávidas. Curiosamente, o que a enfermeira observa com mais frequência é exatamente o contrário: malas demasiado cheias.

“Costumo dizer às famílias que estão a preparar uma mala para o hospital e não para férias. A maioria das maternidades disponibiliza vários materiais e, na prática, muitas famílias acabam por utilizar apenas uma parte daquilo que levam. O mais importante é focar-se no essencial, organizar tudo de forma simples e confirmar sempre as recomendações específicas da maternidade onde o parto irá acontecer”, reforça Ana Domingos.

O mais importante não cabe na mala

Preparar a mala conta, mas há algo que, para a especialista, conta ainda mais: preparar o que vem a seguir. Saber o que esperar dos primeiros dias com o bebé, conhecer os cuidados básicos ao recém-nascido, preparar a amamentação e pensar no pós-parto são passos que mudam a forma como toda esta fase é vivida.

Como resume Ana Domingos, a mala acompanha a mulher até à maternidade, mas a preparação para o pós-parto acompanha-a muito para além dela.