A factura das comunicações é das que mais sobe sem aviso e das que menos se questiona. Muita gente mantém o mesmo operador durante décadas por recear perder o número de telefone, ficar sem serviço ou complicar a vida. Nenhuma destas coisas tem de acontecer.
O número é seu
A portabilidade é um direito: o número de telemóvel ou de telefone fixo pertence ao cliente, não ao operador. Quando muda de empresa, basta pedir a portabilidade ao novo operador, que trata de todo o processo com o anterior. Não tem de avisar a operadora antiga nem de fazer dois contratos.
O processo é gratuito e demora habitualmente poucos dias úteis. Há um curto período de transição, normalmente de minutos, em que o serviço pode estar indisponível, e convém guardar o cartão SIM antigo até ter a certeza de que está tudo a funcionar.
A fidelização é o principal travão
Antes de mudar, confirme se está dentro de um período de fidelização. Em Portugal, os contratos com fidelização não podem ultrapassar os 24 meses, e o consumidor tem de poder escolher também uma oferta sem fidelização ou com prazo mais curto.
Se rescindir antes do fim, terá de pagar um valor pelo incumprimento, que deve ser proporcional ao benefício que recebeu, como um equipamento oferecido ou uma mensalidade com desconto, e ao tempo que falta cumprir. Peça sempre por escrito quanto vai custar antes de decidir.
Como pedir a informação certa
Ligue ao seu operador e faça três perguntas: em que data termina a fidelização, qual o valor que pagaria se rescindisse hoje e que preço final está a pagar, com todas as taxas incluídas. Peça a resposta por escrito, por email ou na área de cliente.
Com esses dados na mão, compare ofertas. Os comparadores online ajudam, mas confirme sempre na própria operadora o preço depois de terminada a promoção, que costuma ser onde a conta engorda.
Cuidados com as chamadas comerciais
Muitas mudanças de operador começam com um telefonema inesperado. Não aceite nada por telefone sem receber por escrito as condições e sem ter tempo para ler. Uma chamada não é um contrato assinado, mas pode dar origem a um se disser que sim.
Se for enganado sobre as condições, tem direito a resolver o contrato. Guarde os registos e apresente reclamação junto do operador e da entidade reguladora das comunicações.
Atenção ao que muda com a mudança
Há pormenores práticos que convém acautelar: o email associado ao operador antigo deixa de funcionar, os serviços de televisão gravados perdem-se, e se tem alarme, telefone fixo ligado a um sistema de teleassistência ou equipamentos médicos que dependem da linha, avise o novo operador antes da mudança para garantir que tudo continua a funcionar.
E se quiser apenas pagar menos no mesmo sítio
Nem sempre é preciso mudar. Quando a fidelização termina, ligar ao operador a dizer que está a pensar sair costuma dar resultado, sobretudo se levar na mão uma proposta concreta da concorrência. Vale também a pena rever o pacote: muitos clientes pagam por canais de televisão que nunca vêem, por velocidades de internet que não usam ou por plafonds de chamadas que sobram todos os meses.











