Nostalgia: afinal recordar o passado pode ser (ou não) benéfico para nós?

Lembrar e contar histórias antigas pode nem sempre ser uma experiência positiva. De acordo com os especialistas estes são os tipos de formas de lembrar o passado que deve evitar.

À medida que envelhecemos, passamos mais tempo a lembrar o passado. É apenas natural. Numa fase mais avançada das nossas vidas já vivemos mais do que aquilo que porventura podemos esperar do futuro.

Esta maior tendência para nos concentrarmos no passado foi sempre percecionada pela sociedade como algo negativo, como uma disfunção pouco saudável. Até que em 1963, Robert Butler (um conhecido psiquiatra) apresentou um estudo que revelava que o ato de lembrar o passado é algo completamente universal e natural, que pode até ter efeitos positivos no bem-estar das pessoas. “Olhar para trás” pode ajudar-nos a desenvolver a nossa personalidade e a combater certos traumas, sintomas, associados a estados depressivos, segundo defendia este terapeuta.

Desde então muita investigação tem sido feita sobre este tema. Apenas lembrar e contar história antigas sobre a nossa vida pode não ter efeitos exclusivamente positivos, e caso não tenham o devido acompanhamento especializado podem até tornar-se numa experiência que cause alguns “danos”.

Nos anos 90, os psicólogos Lisa Watt e Paul Wong desenvolveram para este efeito uma importante investigação que se concentrou em identificar as diversas formas como as pessoas se lembram de histórias passadas. Identificaram 6 tipos, sendo que uns são mais recomendados por serem formas mais saudáveis de lembrar certas coisas do que outras.

  1. Obsessivo: “Tudo era horrível”

Uma forma obsessiva de olhar para o passado é caracterizada por um foco extremo em eventos negativos, assim como em sentimentos de culpa e arrependimento. Neste caso existe uma clara dificuldade em “restruturar” certas ocasiões negativas em experiências de aprendizagem, que possam gerar algum valor positivo para a sua vida no Presente.

  1. Escapismo: “Esses é que eram os tempos!”

Este é oposto da forma obsessiva. Ao invés de acharmos que tudo foi horrível, tendemos a acreditar que tudo era melhor no passado. Este exagero pode servir como uma forma de lidar com certos momentos mais negativos da sua vida, mas é normalmente algo pouco saudável e que deve evitar.

  1. Narrativo: Uma série de eventos

Ao invés de conferir um caracter positivo ou negativo a experiências passadas, esta forma de lembrar coisas antigas caracteriza-se por descrever de uma forma neutra eventos e histórias. Aqui procura-se transmitir informação biográfica e factual. No entanto acaba por não ser uma forma inspiradoras e eficaz de melhoramento pessoal.

Em alternativa deve focar-se antes nestes seguintes tipos:

  1. Transmissivo: “Quando eu tinha a tua idade…”

Este é uma forma de lembrar o passado que se foca sobretudo em passar conhecimento, valores, tradições às gerações mais jovens. É uma forma construtiva de olhar para certos eventos e situações da sua vida. Procura-se aqui acrescentar valor à vida dos outros. E, por conseguinte, pode também fazer-nos sentir melhor connosco próprios.

  1. Instrumental: “Se isto aconteceu então aquilo será…”

Esta é uma estratégia que procura ir buscar ao passado valiosas lições que possam ser úteis no presente. É uma forma de lembrar que se foca em objetivos, planos e métodos. Não menospreza certas coisas negativas ou falhanços que possam ter acontecido, mas utiliza estas mesmas coisas para melhor reagir a tudo aquilo que nos possa acontecer na atualidade.

  1. Integrativo: Uma história que vale a pena

Umas das questões centrais da nossa juventude costuma ser “é aceitável ser como sou?”. Já a partir dos 65 anos, na fase final da nossa vida, essa pergunta passa a ser “foi bom ter sido como fui ao longo destes anos?”.

Esta questão evidencia o confronto entre o desespero e a aceitação. Por um lado, podemos recear ter desperdiçado toda a nossa vida ou vivido de uma forma errada. Por outro, devemos ter a capacidade de nos sentirmos em paz com as decisões que tomámos e com o rumo que a nossa vida levou.

Esta capacidade de integrar positivamente as experiências vividas, evidencia o esforço para aceitar as diferenças entre a realidade e o sonho, entendendo alguns dos eventos e conflitos mais negativos como partes integrais de uma existência saudável.

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