Para quem toma medicação diária, a parte mais importante da preparação de uma viagem não é a mala: é a caixa dos comprimidos. Há três coisas a tratar antes de sair, e todas se resolvem numa manhã.
Vai na bagagem de mão
É a regra que mais gente aplica ao contrário. A medicação essencial deve viajar sempre na bagagem de mão, e nunca no porão.
São três razões. A bagagem despachada pode extraviar-se ou chegar atrasada, e não há como repor rapidamente medicação crónica num país estrangeiro. O porão tem condições de temperatura que não se controlam. E, em caso de necessidade durante o voo, a medicação tem de estar acessível.
A recomendação prática vai um passo além: levar a medicação para alguns dias a mais do que a duração prevista da viagem, para cobrir atrasos e imprevistos.
Os líquidos têm exceção
As restrições ao transporte de líquidos na bagagem de mão preveem exceções para medicamentos necessários durante a viagem.
Para acionar essa exceção convém levar prova, tipicamente a receita médica ou uma declaração do médico, e apresentar os produtos separadamente no controlo de segurança.
O documento que evita problemas
Alguns medicamentos, sobretudo analgésicos fortes, ansiolíticos e outros sujeitos a controlo especial, estão abrangidos por convenções internacionais e o seu transporte transfronteiriço exige documentação própria.
Para viagens no espaço Schengen, existe um certificado específico que atesta que o medicamento é para uso pessoal e foi prescrito ao viajante. Em Portugal, é o INFARMED a autoridade competente nesta matéria, e o pedido é feito com base em prescrição médica.
Convém tratar disto com antecedência, porque a emissão não é imediata e é o tipo de documento que só se descobre ser necessário na fronteira.
Fora da Europa, as regras mudam
Há países que proíbem substâncias que em Portugal são de venda corrente, incluindo alguns medicamentos para a constipação, para a dor e para o sono.
Antes de viajar para fora do espaço europeu, vale a pena confirmar junto da embaixada ou do consulado do país de destino se a medicação que leva tem restrições. É uma verificação rápida que evita uma situação muito desagradável.
O que levar sempre consigo
Três documentos, de preferência em papel e também em fotografia no telemóvel.
A lista da medicação, com o nome da substância ativa e não apenas a marca comercial. As marcas mudam de país para país, a substância ativa não.
A receita médica ou uma declaração do médico assistente, idealmente em inglês para viagens ao estrangeiro.
O Cartão Europeu de Seguro de Doença, para viagens na Europa, que dá acesso a cuidados públicos clinicamente necessários durante estadas temporárias.
Nas embalagens originais
Por muito prático que seja passar tudo para uma caixa organizadora, a medicação deve viajar nas embalagens originais, com o rótulo e o folheto.
É o que permite identificar o produto num controlo de fronteira e, em caso de necessidade médica no estrangeiro, é o que permite a um profissional perceber exatamente o que está a tomar.
Uma nota final sobre o calor: em destinos quentes, verificar no folheto a temperatura máxima de conservação e nunca deixar a medicação no carro nem exposta ao sol.











