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Portugal lidera na Europa a vontade de desligar dos ecrãs nas férias

Portugal lidera na Europa a vontade de desligar dos ecrãs nas férias
Rogério Junior

Um estudo em oito mercados europeus coloca os portugueses no topo da abertura a passar um dia inteiro sem dispositivos digitais. Kilian Kaminski, cofundador da refurbed, explica onde está o verdadeiro teste a estas intenções.

As férias de verão estão a transformar-se num teste à relação que temos com os telemóveis, os tablets e os computadores. Um estudo realizado pela Appinio para a refurbed, marketplace europeu de produtos recondicionados, revela que 83% dos portugueses estão disponíveis para passar um dia inteiro sem ecrãs e que 71% querem reduzir o tempo que passam em frente a dispositivos durante as férias. Números que colocam Portugal na liderança europeia da abertura à desconexão.

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Os resultados apontam para uma consciência crescente do impacto que o uso intensivo de tecnologia tem no bem-estar. Ainda assim, há uma distância conhecida entre querer e conseguir: 18% dos inquiridos admitem não ter a certeza de que vão mesmo reduzir o tempo de ecrã, o que mostra a dificuldade em passar da intenção à prática.

Portugal no topo da vontade de desligar

O estudo abrangeu oito mercados europeus: Portugal, Suécia, Áustria, Itália, Chéquia, Finlândia, Países Baixos e Irlanda. No conjunto destes países, 67% dos inquiridos dizem querer diminuir o tempo de ecrã nas férias de verão e 76% aceitam a ideia de ficar um dia sem dispositivos.

Portugal fica acima da média europeia e assume a liderança na abertura a um dia sem tecnologia. Já a Itália regista a maior intenção de reduzir o tempo de ecrã durante as férias, com 73%. Outro dado sublinha a disponibilidade portuguesa: apenas 8% rejeitam a ideia de um dia offline, a percentagem mais baixa entre todos os mercados analisados.

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Os desafios curtos funcionam melhor

Uma das conclusões mais interessantes tem que ver com a forma como o objetivo é colocado. A disponibilidade para um único dia sem ecrãs supera a intenção de reduzir o consumo de forma continuada, o que sugere que as metas concretas e limitadas no tempo têm maior adesão do que os propósitos vagos e permanentes.

Por outras palavras, prometer a si próprio que vai usar menos o telemóvel durante todo o verão tende a resultar menos do que marcar um domingo específico para deixar o telemóvel na gaveta.

“Os dados mostram que existe abertura para a mudança, sobretudo quando associada a ações simples e bem definidas. O período de férias vai ser um momento-chave para perceber até que ponto estas intenções se traduzem em comportamento”, afirma Kilian Kaminski, cofundador da refurbed e vice-presidente da European Refurbishment Association.

Uma vontade que atravessa as gerações

Ao contrário do que se poderia esperar, o desejo de reduzir o tempo de ecrã não é exclusivo de nenhuma faixa etária. Entre os mais novos, dos 18 aos 29 anos, 82% querem passar menos tempo em frente a dispositivos e 86% mostram-se disponíveis para um dia sem ecrãs.

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Nos portugueses com 45 ou mais anos, os valores confirmam a mesma tendência:

  • 63% manifestam intenção de reduzir o tempo passado em frente aos ecrãs;
  • mais de 80% aceitam a possibilidade de passar um dia inteiro offline.

Ou seja, a vontade de desligar é transversal e, no caso do dia sem dispositivos, os portugueses com 45 ou mais anos mostram-se quase tão recetivos quanto os mais jovens.

O verão como campo de provas

Com mais tempo livre e rotinas alteradas, o verão cria o contexto ideal para testar novos hábitos digitais. É também nesta altura que a contradição se torna mais visível: procuramos descanso, mas continuamos rodeados de dispositivos que reclamam atenção constante.

A refurbed defende uma relação mais equilibrada com a tecnologia, que não passa apenas por prolongar a vida útil dos equipamentos, mas também por promover uma utilização mais consciente no dia a dia.

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Como foi feito o estudo

O trabalho foi conduzido pela Appinio para a refurbed entre 11 e 20 de março de 2026, com uma amostra de 1.000 participantes em Portugal, com idades entre os 18 e os 65 anos. A amostra foi equilibrada por género e por grupos etários e o questionário, aplicado em português, analisou as atitudes face ao uso de ecrãs durante as férias e a abertura a um dia sem dispositivos digitais.