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Onde se aprende a usar o telemóvel sem pagar nada

Onde se aprende a usar o telemóvel sem pagar nada
Rogério Junior

Cada vez mais coisas só se resolvem por aplicação ou por site, e quem não acompanhou fica de fora de serviços a que tem direito. Existe formação gratuita espalhada pelo país e quase ninguém sabe onde ela está.

Marcar uma consulta, pedir uma certidão, consultar a pensão, autenticar-se num serviço público, provar que se é quem se diz. Cada vez mais coisas do dia a dia passam por uma aplicação ou por um site, e quem não acompanhou essa mudança não fica apenas com menos jeito para a tecnologia: fica sem acesso a serviços a que tem direito, e dependente de alguém que trate deles por si.

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A parte boa é que existe muita formação gratuita, dada por instituições sérias e pensada exatamente para quem começa do zero. A parte má é que está espalhada por dezenas de entidades diferentes e não há um sítio único onde procurar, o que faz com que a maioria das pessoas nunca chegue a saber que ela existe a duzentos metros de casa.

Onde procurar, por ordem

Comece pela junta de freguesia. É a via mais direta, quase todas têm alguma coisa e, quando não têm, sabem quem tem. Muitas organizam sessões de informática para adultos, algumas em parceria com escolas, onde são estudantes a ensinar, um formato que costuma funcionar muito bem dos dois lados.

A seguir, a biblioteca municipal. Além dos computadores com acesso livre à internet, muitas bibliotecas têm sessões regulares de iniciação, e o ambiente é menos intimidante do que uma sala de aula. As universidades sénior, presentes em quase todo o país, têm quase sempre disciplinas de informática e de utilização do telemóvel, e a inscrição costuma ser de valor simbólico.

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Há ainda projetos nacionais dedicados ao tema. A Academia Portugal Digital reúne cursos gratuitos online, e existem iniciativas de voluntariado, como o programa Eu Sou Digital, que fazem formação de proximidade para maiores de 45 anos em instituições locais. As misericórdias, os centros de dia e as associações de reformados são outra porta de entrada, muitas vezes com sessões que ninguém divulga para lá do bairro.

Quando o objetivo é resolver um assunto concreto e não aprender em geral, os Espaços Cidadão são o sítio certo. Existem em centenas de locais, incluindo juntas de freguesia e lojas de cidadão, e há um assistente que ajuda a tratar do serviço público no computador enquanto explica o que está a fazer. A lista de balcões está em gov.pt.

Por onde começar de facto

Um erro comum é começar por querer aprender tudo. Resulta melhor escolher três ou quatro coisas úteis e dominá-las bem: fazer e receber uma chamada de vídeo com a família, enviar e receber mensagens com fotografias, marcar uma consulta, e consultar o saldo da conta. A partir daí o resto vem sozinho, porque já existe confiança.

Vale a pena ter presente que há duas competências distintas e igualmente importantes. Uma é técnica, saber onde carregar. A outra é de segurança, e é a que evita prejuízos: reconhecer uma mensagem falsa do banco ou das Finanças, desconfiar de quem telefona a pedir códigos, e saber que nenhuma entidade legítima pede dados por mensagem. Uma boa formação trata das duas, e se a que encontrar só falar da primeira, pergunte pela segunda.

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Por fim, um conselho para quem tem um filho ou um neto com paciência: aprender com a família resulta melhor quando há uma regra combinada, que é a pessoa fazer os passos com as próprias mãos em vez de entregar o telemóvel. Ver alguém resolver depressa não ensina nada, e é o motivo pelo qual tanta gente continua a pedir ajuda para a mesma coisa ao fim de dois anos.