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Cataratas: quando se justifica operar e o que esperar da cirurgia

Pessoa mais velha durante exame oftalmológico para avaliação de cataratas
Maria Isadora Ribeiro

É uma das cirurgias mais realizadas do mundo e resolve-se em minutos, mas a decisão de avançar costuma ser adiada anos. E há uma razão nova para não adiar.

A catarata é a perda de transparência do cristalino, a lente natural do olho. Instala-se devagar, ao longo de anos, e é a principal causa de perda de visão associada à idade. A operação é das mais realizadas em todo o mundo e das mais bem sucedidas. Ainda assim, a decisão de avançar costuma demorar.

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Como se manifesta

Os sinais são progressivos e facilmente atribuídos a outras coisas.

Visão progressivamente enevoada, como se houvesse sempre uma película. Cores que perdem intensidade e tendem para o amarelado. Encandeamento com faróis e com luz forte, que torna a condução noturna desconfortável. Necessidade de mais luz para ler. E mudanças frequentes na graduação dos óculos, que deixam de resolver.

Como a instalação é lenta, o cérebro adapta-se e a pessoa deixa de ter termo de comparação. É frequente só perceber a extensão da perda depois de operar o primeiro olho.

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Quando se justifica operar

O critério deixou de ser a gravidade medida em exame e passou a ser funcional: opera-se quando a catarata começa a limitar as atividades do dia a dia.

Deixar de conduzir à noite, ter dificuldade em ler, perder autonomia em tarefas que antes eram simples ou sentir insegurança ao andar na rua são os sinais que costumam pesar mais na decisão do que qualquer valor.

Não é preciso esperar que a catarata esteja madura. Essa ideia é antiga e já não corresponde à prática atual.

Em que consiste

O cristalino opacificado é removido e substituído por uma lente intraocular artificial. É um procedimento habitualmente realizado em ambulatório, com anestesia local, e de duração curta.

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A recuperação visual é normalmente rápida, embora a estabilização final leve algumas semanas e possa exigir ajuste da graduação dos óculos.

Cada olho de sua vez

A prática corrente é operar um olho e, passado um intervalo, operar o outro. Isso permite avaliar o resultado e mantém sempre um olho funcional durante a recuperação.

A razão nova para não adiar

Além do ganho de visão e da redução do risco de quedas, há um argumento que entrou na discussão nos últimos anos.

A perda de visão não tratada figura entre os 14 fatores de risco modificáveis de demência identificados pela comissão do Lancet, que estima que cerca de 45% dos casos sejam potencialmente evitáveis atuando sobre esse conjunto.

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Cataratas por operar são, precisamente, perda de visão não tratada com solução conhecida e acessível.

Como se começa

Pela consulta de oftalmologia, com encaminhamento a partir do médico de família no SNS. Existe um sistema de gestão do acesso com tempos máximos de resposta garantidos, e o utente pode acompanhar a sua situação.

Se sente que a visão mudou e que os óculos deixaram de resolver, o passo seguinte não é comprar óculos novos. É marcar consulta.

As lentes não são todas iguais

Antes da cirurgia há uma escolha a fazer sobre o tipo de lente intraocular, e ela condiciona o resultado.

As lentes monofocais corrigem a visão a uma distância, normalmente ao longe, mantendo a necessidade de óculos para leitura. São as habitualmente usadas no SNS.

Existem ainda lentes multifocais e outras soluções que reduzem a dependência de óculos, com custo associado e com implicações que devem ser discutidas caso a caso, porque nem todas as pessoas se adaptam bem.

É uma conversa a ter com o oftalmologista antes, e não uma decisão a tomar no dia da cirurgia.