Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica: informática tenta melhorar a vida dos doentes

Uma iniciativa do Politécnico de Leiria

O Politécnico de Leiria está a desenvolver uma plataforma digital que visa promover a atividade física no dia-a-dia de pessoas que sofrem de Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), numa parceria entre a saúde e a informática, avança a Lusa.

Financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, o projeto ‘OnTRACK’ envolve investigadores do ciTechCare – Centro de Inovação em Tecnologias e Cuidados de Saúde e do CIIC – Centro de Investigação em Informática e Comunicações do Politécnico de Leiria, num projeto de investigação com a copromoção da Universidade de Aveiro, em parceria com profissionais de saúde do Hospital de Santo André, do Centro Hospitalar de Leiria, Unidade de Saúde Familiar de Santiago, em Leiria, Centro Hospitalar Baixo Vouga, Centro Hospitalar e Universitário Lisboa Norte e do Hospital Distrital da Figueira da Foz.

“Recrutámos estes serviços de saúde para termos uma maior abrangência e perspetivas diferentes, o que nos dá informação, por exemplo, acerca do estilo de vida das pessoas de diferentes localidades”, explicou à agência Lusa a investigadora no ciTechCare e docente na Escola Superior de Saúde, Joana Cruz, que lidera o projeto.

Segundo a investigadora, o projeto “surgiu da necessidade de melhorar a atividade física das pessoas com DPOC, que provoca, cada vez mais, um impacto na qualidade de vida e no consumo de cuidados em saúde não planeados”.

“Sabe-se que as pessoas não devem estar paradas, devem estar controladas, mas deve haver a promoção de um estilo de vida mais ativo e saudável”, afirmou, ao referir que, para tal, é necessária uma orientação e monitorização por parte dos profissionais de saúde.

A plataforma pretende estabelecer a comunicação entre o profissional de saúde e o doente e é constituída por duas aplicações: uma ‘web’, onde os profissionais de saúde definem o objetivo para o doente e conseguem monitorizar a atividade prescrita, e uma aplicação móvel para o doente, que consegue verificar o seu desempenho e confirmar se está a cumprir os objetivos definidos pelo profissional de saúde.

Nesta aplicação será possível avaliar, por exemplo, o número de passos dados.

“Para já, estamos centrados em métricas simples. É fácil para os doentes perceberem e para nós recolhermos a informação, de forma fidedigna”, adiantou Joana Cruz, admitindo que o projeto poderá vir a dar dados como a duração da atividade física de intensidade moderada a vigorosa, a medição da frequência cardíaca e da saturação periférica de oxigénio.

“Temos de ter sempre a certeza de que a informação é fidedigna”, sublinhou.

O investigador do CIIC José Bregieiro considerou que esta parceria “é colocar a tecnologia ao serviço da saúde e da comunidade”.

Segundo explicou, esta aplicação permitirá ainda “enviar um conjunto de informações para o profissional de saúde, que as poderá consultar na plataforma web e ajustar a atividade física à necessidade do utilizador”.

Joana Cruz destacou como um dos aspetos inovadores do projeto a criação da plataforma à medida dos seus utilizadores.

“Ouvimos os profissionais de saúde e os doentes durante a fase de desenvolvimento da plataforma OnTRACK e tentámos desenhá-la de acordo com as suas necessidades e preferências, o que poderá facilitar a adesão”.

Já foram realizados alguns testes de usabilidade e o “projeto está em fase de aperfeiçoamento e manutenção da plataforma digital”, para que seja depois implementado num estudo de viabilidade, e posteriormente num estudo randomizado e controlado para avaliar a sua eficácia na melhoria dos níveis de atividade física das pessoas com DPOC”, informou Joana Cruz.

José Bregieiro afirmou que os engenheiros ligados às tecnologias estão à “procura de novas estratégias para promover o envolvimento dos utilizadores na atividade física, como sejam a gamificação ou a utilização da inteligência artificial”.

O projeto pode ainda contemplar a “utilização de agentes computacionais para motivar os utilizadores, uma interação com o dispositivo móvel e a criação de estações de exercício físico virtuais, através de realidade aumentada, onde há validação automática dos exercícios”, acrescentou o investigador.

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