O preço dos combustíveis mexe com o orçamento de qualquer casa, sobretudo em zonas onde o carro não é uma escolha mas uma necessidade. A boa notícia é que o consumo depende mais da forma de conduzir do que do carro em si.
O que mais pesa: as acelerações e as travagens
Cada travagem desperdiça energia que custou combustível a criar. Antecipar o trânsito, levantar o pé cedo e deixar o carro rolar até ao semáforo em vez de acelerar e travar reduz o consumo de forma imediata e sem prolongar a viagem.
Arrancar com suavidade e mudar de caixa cedo, mantendo rotações baixas, é o outro lado da mesma moeda.
A velocidade na auto-estrada
A resistência do ar aumenta de forma acentuada com a velocidade. Reduzir de 130 para 110 quilómetros por hora numa viagem longa produz uma poupança significativa e custa poucos minutos no total do percurso. Usar o controlo de velocidade em estrada plana ajuda a manter o ritmo constante.
Pneus: o detalhe mais esquecido
Pneus com pressão abaixo do recomendado aumentam a resistência ao rolamento e o consumo, além de se desgastarem mais depressa e piorarem a travagem. Verifique a pressão uma vez por mês, a frio, e siga os valores indicados no manual ou no autocolante da porta do condutor, não os do flanco do pneu.
Peso e aerodinâmica
Andar meses com cem quilos de coisas na mala custa dinheiro. E as barras de tejadilho, sobretudo com caixa ou bicicletas, aumentam bastante o consumo em estrada: se não estão a ser usadas, devem sair.
Ar condicionado e janelas
O ar condicionado consome, mas em auto-estrada andar com as janelas abertas cria mais resistência do que o próprio sistema gasta. Em cidade, a velocidades baixas, abrir as janelas compensa. E vale a pena arejar o carro antes de arrancar, em dias de calor, em vez de pedir ao sistema que arrefeça um interior a cinquenta graus.
Motor ao ralenti
Deixar o carro a trabalhar parado à espera de alguém gasta combustível e não aquece o motor de forma útil. Nos carros modernos, o motor aquece a conduzir. Paragens de mais de um minuto justificam desligar.
Os mitos
Encher o depósito de manhã porque o combustível está mais frio não produz diferença prática. Os aditivos milagrosos vendidos como redutores de consumo não têm sustentação. E andar sempre com o depósito quase vazio para poupar peso não compensa o risco de ficar sem combustível nem o desgaste da bomba.
Manutenção em dia
Filtros de ar entupidos, velas gastas e óleo fora de especificação aumentam o consumo. A revisão feita a horas é, nesta como noutras contas, das poupanças mais rentáveis que existem.
E, antes de abastecer, vale a pena consultar os comparadores de preços de combustíveis, que mostram os postos mais baratos por zona e são actualizados diariamente.
E os carros eléctricos e híbridos
Os princípios mantêm-se, com uma diferença importante: nestes veículos, a travagem suave permite recuperar energia, pelo que antecipar o trânsito rende ainda mais. O uso do aquecimento no Inverno é, nos eléctricos, um dos maiores consumidores de autonomia, e pré-aquecer o habitáculo com o carro ainda ligado à tomada resolve boa parte do problema.











