Um tapete que escorrega, um degrau mal iluminado, uma banheira molhada. Muitas das lesões da coluna vertebral começam num segundo de distracção, e boa parte delas acontece dentro de casa. A campanha «Olhe pelas Suas Costas» aproveitou o Dia Internacional das Lesões Medulares, assinalado a 5 de Setembro, para lembrar uma verdade simples: muitas destas lesões podem ser evitadas.
A iniciativa associou-se ao tema definido este ano pela International Spinal Cord Society, «Da consciencialização à acção», e alerta para o facto de as lesões da coluna, nos casos mais graves, poderem também atingir a medula espinhal, com consequências no movimento e na sensibilidade.
Da consciencialização à acção
«Ao longo da última década, assistimos a uma maior consciencialização para a prevenção das lesões da coluna vertebral. O desafio passa agora por transformar esse conhecimento em acções concretas, promovendo comportamentos seguros em casa, na estrada, no trabalho e durante a prática desportiva», afirma Nuno Neves, médico ortopedista e coordenador da campanha.
As causas são variadas: quedas, acidentes rodoviários, acidentes de trabalho ou desportivos. Mas, a partir de certa idade, as quedas ganham um peso cada vez maior. Com os anos, o equilíbrio, a força muscular e a visão perdem capacidade, os ossos ficam mais frágeis e alguns medicamentos podem causar tonturas. Uma queda que aos 30 anos resultava num susto pode, aos 70, significar uma fractura.
Uma casa mais segura em cinco passos
A campanha lembra que adaptar os espaços para reduzir o risco de acidentes é uma das medidas mais eficazes. Na prática, isso significa retirar ou fixar tapetes soltos e fios eléctricos no chão dos corredores. Garantir boa iluminação, sobretudo nas escadas e no caminho entre o quarto e a casa de banho, onde uma luz de presença durante a noite pode evitar muitos tropeções. Instalar corrimãos dos dois lados das escadas e barras de apoio junto à sanita e no duche. Usar tapetes antiderrapantes na banheira ou, melhor ainda, trocá-la por uma base de duche ao nível do chão. E arrumar o que se usa todos os dias ao alcance da mão, evitando subir a bancos e escadotes.
Um corpo mais preparado
A prevenção não se faz só com obras. Manter um estilo de vida activo, outra das recomendações da campanha, é essencial: caminhar, fazer exercícios de força e de equilíbrio, praticar hidroginástica, pilates ou tai chi ajudam a manter os músculos que protegem a coluna e a reduzir o risco de queda. Calçado fechado, com sola antiderrapante e bem ajustado, é preferível aos chinelos. E vale a pena rever regularmente com o médico a medicação, a visão e a saúde dos ossos.
Uma responsabilidade partilhada
«Cada lesão evitada representa um impacto positivo na sociedade. A prevenção deve ser uma responsabilidade partilhada por todos e fazer parte do nosso dia-a-dia», sublinha Nuno Neves. Para os filhos e netos, pode ser um bom pretexto para uma visita diferente: percorrer a casa dos pais ou dos avós com olhos de quem procura riscos e resolver, numa tarde, os pequenos perigos que ali estão há anos. Poucas horas de trabalho podem poupar meses de recuperação.











